A soltura da empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, sogra do governador em exercício de Goiás, Daniel Vilela, voltou a movimentar os bastidores políticos do estado nesta semana. Investigada pela Polícia Federal por suspeita de integrar um esquema de imigração ilegal para os Estados Unidos que teria movimentado milhões de reais, Maria Helena deixou a prisão após mais de 24 horas detida em Goiânia e deverá cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias.
A decisão da Justiça Federal ocorre em meio à repercussão política da operação, que já começa a ser tratada nos bastidores como um possível desgaste para o grupo político de Daniel Vilela em pleno cenário pré-eleitoral. Adversários políticos devem explorar o caso durante o período eleitoral, apesar de a Polícia Federal ter reforçado oficialmente que nem o governador em exercício nem sua esposa, Iara Netto Vilela, são alvos da investigação e que, até o momento, não há qualquer indício de participação deles nos crimes apurados.
Segundo a investigação, Maria Helena é suspeita de chefiar um dos núcleos de uma organização criminosa especializada em promover a entrada ilegal de brasileiros nos Estados Unidos. A PF aponta que o grupo atuava de forma estruturada, organizando toda a logística da viagem, desde a saída do Brasil até a travessia por países como México e Panamá.
A investigação identificou ao menos 463 brasileiros como clientes do esquema criminoso. Conforme a Polícia Federal, cinco grupos independentes atuavam de maneira integrada, compartilhando operações financeiras e logísticas. Juntas, as organizações teriam movimentado cerca de R$ 240 milhões entre os anos de 2018 e 2023.
No caso específico de Maria Helena, os investigadores afirmam que mais de R$ 45 milhões passaram por contas ligadas à empresária. A quebra dos sigilos bancário e telefônico foi autorizada pela Justiça Federal e ajudou a rastrear a movimentação financeira considerada incompatível com as atividades declaradas.
Em um dos áudios obtidos pela investigação, Maria Helena afirma ter experiência em retirar imigrantes ilegais detidos pelas autoridades norte-americanas. Em uma das gravações, ela diz: “Eu consigo tirá-los. Tiro, sempre tiro…todos que ficam eu tiro. Eu tiro para depois receber, né? Eu quero saber se você quer que eu tiro…que eu já providencio isso ”. O conteúdo teria relação com o caso de um brasileiro de Rondônia que contratou o esquema para atravessar ilegalmente a fronteira dos Estados Unidos.
A defesa da empresária afirmou, em nota, que a revogação da prisão preventiva representa o reconhecimento da “desnecessidade” da medida extrema e pediu respeito ao princípio da presunção da inocência.
Além de Maria Helena, outras três pessoas foram alvo da operação em Goiás. Juliana Rosa Tomé Fróes, apontada como responsável pela captação de clientes e pela logística de viagens e hospedagens, também foi liberada mediante uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias. A defesa dela argumenta que auxiliar brasileiros na formalização de pedidos de asilo nos Estados Unidos não configura crime.
Já Fábio Rodrigo Fróes, marido de Juliana, permanece preso até a última atualização do caso. A defesa dele não foi localizada. Também segue detida Valéria Divina de Macedo, apontada pela Polícia Federal como responsável pelo núcleo financeiro e logístico da organização.
As investigações ainda revelaram que os grupos utilizavam empresas de fachada, laranjas e mecanismos de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos recursos obtidos com a imigração ilegal. Segundo a PF, integrantes da organização atuavam em diversos estados brasileiros e também no exterior, oferecendo suporte logístico, recepção de migrantes e intermediação financeira.
No Amapá, outros dois suspeitos apontados como chefes de núcleos da organização não foram localizados e acabaram incluídos na lista da Interpol.











