O número de mulheres que denunciam o médico Marcelo Arantes Silva por crimes sexuais durante atendimentos médicos em Goiás subiu para 20, segundo apuração divulgada pela TV Anhanguera. As denúncias estão concentradas em duas cidades: 11 registros em Senador Canedo e nove em Goiânia. As vítimas têm entre 25 e 45 anos.
De acordo com a Polícia Civil, os crimes teriam ocorrido ao longo de quase uma década, entre 2017 e 2026, durante consultas e exames ginecológicos. O médico é investigado por estupro de vulnerável, tipificação adotada diante das circunstâncias em que as pacientes se encontravam no momento dos abusos.
Em coletiva de imprensa realizada na última quinta-feira (16), a delegada Amanda Menuci detalhou o padrão de comportamento atribuído ao investigado. Segundo ela, o profissional buscava inicialmente conquistar a confiança das pacientes, para, em seguida, ultrapassar limites éticos e legais durante os atendimentos. “É um verdadeiro predador sexual, se aproveita dessa autoridade médica que ele tem sobre elas”, afirmou.
As investigações apontam que, nas primeiras consultas, já eram relatados toques físicos indesejados e questionamentos invasivos sobre a vida íntima das pacientes. Em etapas posteriores, os abusos se intensificavam, ocorrendo durante exames realizados sem o uso adequado de luvas e em contextos de extrema vulnerabilidade física e psicológica.
A delegada destacou que o enquadramento como estupro de vulnerável se justifica pelo ambiente clínico e pela condição das vítimas. “Naquele local, elas estavam em completo estado de vulnerabilidade, incapazes de oferecer resistência, inclusive pela posição física em que se encontravam, como na posição ginecológica”, explicou. Além disso, pesam fatores como a autoridade do médico e a inferioridade técnica das pacientes diante do procedimento.
Apesar da gravidade das acusações, o pedido de prisão preventiva foi negado pela Justiça. Ainda assim, foram impostas medidas cautelares, incluindo a proibição de contato com as vítimas e a suspensão do exercício profissional.
A clínica onde o médico atuava em Goiânia informou que realizou o desligamento imediato do profissional assim que tomou conhecimento das denúncias. Já a unidade de saúde em Senador Canedo declarou que ele não integra o corpo clínico há mais de um ano e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás comunicou que o registro do médico foi suspenso por decisão judicial e que todos os procedimentos relacionados às denúncias seguem em sigilo.
Em nota, a defesa de Marcelo Arantes Silva afirmou que confia na inocência do cliente.
A Polícia Civil reforça que novas vítimas podem procurar as autoridades para registrar denúncia, o que pode ampliar ainda mais o número de casos investigados.











