O piloto da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Marques Monteiro, morreu neste domingo (17), após quase dois meses internado em estado grave desde que foi baleado durante uma operação na Vila Aliança, na Zona Oeste da capital fluminense. O agente integrava o Serviço Aeropolicial da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e estava a bordo de um helicóptero alvejado por criminosos armados com fuzis em março deste ano.
Felipe foi atingido por um disparo no pescoço durante o sobrevoo da comunidade, em uma ação considerada uma das mais violentas contra forças de segurança nos últimos meses. Desde então, o policial enfrentava uma batalha intensa pela sobrevivência, marcada por diversas cirurgias, longos períodos em estado crítico e sucessivas complicações clínicas.
Nos últimos dias, o quadro de saúde do piloto se agravou após uma infecção decorrente de complicações de uma cirurgia de prótese craniana realizada em 20 de abril. Na sexta-feira (15), a esposa de Felipe, Keidna Marques, já havia alertado para a piora clínica e descreveu o momento vivido pela família como “muito difícil de lidar”.
Segundo ela, o policial apresentou alterações graves no estado de saúde na última quinta-feira (14), precisando de medicações mais fortes e ampliação do tratamento com antibióticos devido ao avanço da infecção.
O estado clínico de Felipe vinha piorando desde abril. No início de maio, ele precisou passar por novos procedimentos para retirada de hematomas e controle de sangramentos na cabeça, além da colocação de um dreno intracraniano. Dias antes, a esposa já havia revelado que o policial enfrentava complicações semelhantes desde janeiro.
Felipe Monteiro havia recebido alta do Hospital São Lucas, em dezembro do ano passado, após permanecer nove meses internado. Em seguida, foi encaminhado para um centro de reabilitação, onde seguia o tratamento intensivo.
De acordo com o gerente da Clínica Médica do Hospital São Lucas Copacabana, Renato Ribeiro, o policial passou mais de sete meses sob cuidados intensivos, enfrentando diversas neurocirurgias e procedimentos complexos em razão do comprometimento da calota craniana. Ele também permaneceu em coma por um longo período.
“O comandante é um guerreiro que nunca deixou de lutar pela vida e teve o apoio integral da família, parte fundamental para recuperação e adesão ao tratamento”, declarou o médico.
O ataque aconteceu em 20 de março, durante uma operação policial na Vila Aliança, em Bangu. O helicóptero da Core foi alvo de disparos efetuados por criminosos fortemente armados. Felipe, que atuava como copiloto da aeronave, sofreu um tiro de fuzil na região da testa, com perfuração do crânio.
Em maio, um dos suspeitos de participação no atentado foi preso. Outros envolvidos seguem foragidos.
Em nota oficial, o Governo do Estado do Rio de Janeiro lamentou a morte do policial e destacou a coragem demonstrada durante o período de internação.
“O Governo do Estado presta solidariedade aos familiares, amigos e companheiros da Polícia Civil, e reconhece a bravura, o compromisso e a entrega do comandante Felipe Marques Monteiro no exercício da missão de proteger a população fluminense”, afirmou o comunicado.
A morte do agente provocou forte comoção entre colegas de farda, familiares e integrantes das forças de segurança, que acompanharam ao longo dos últimos meses a luta do piloto pela sobrevivência.











