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Eleições 2026: O que está em jogo para o Sudoeste Goiano na disputa pelo governo do Estado?

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Por Fernando Maia

A sucessão estadual de 2026 ainda nem começou oficialmente, mas o debate político em Goiás já se desenha com dois protagonistas centrais: Marconi Perillo e Daniel Vilela. Em Rio Verde e em todo o Sudoeste Goiano, a antecipação dessa disputa ganha ainda mais peso por se tratar da região que movimenta uma das economias mais fortes do Estado e exerce influência decisiva no cenário eleitoral.

Mais do que uma simples disputa entre partidos, o que se aproxima é um confronto entre dois ciclos políticos que marcaram Goiás em momentos distintos.

Os defensores de Marconi Perillo costumam destacar o período de expansão econômica vivido pelo Estado, a interiorização de investimentos, o fortalecimento da infraestrutura e a consolidação do Sudoeste como potência agroindustrial. Foi durante os governos tucanos que Goiás experimentou um forte crescimento econômico, impulsionado principalmente pelo avanço do agronegócio e pela industrialização do interior.

Já os aliados do atual grupo político, liderado por Ronaldo Caiado e representado na sucessão por Daniel Vilela, apontam como principais marcas a recuperação fiscal do Estado, a melhora dos índices de segurança pública e os investimentos recentes em rodovias e infraestrutura regional, além da aproximação com o setor produtivo.

Mas a política não pode sobreviver apenas da memória afetiva dos governos. É preciso também revisitar promessas, avaliar resultados e discutir aquilo que ainda não saiu do papel. Durante os anos de governo de Marconi, diversos projetos foram anunciados para o Sudoeste Goiano. Algumas obras avançaram, outras não atingiram plenamente as expectativas criadas ao longo dos anos. Entre as críticas recorrentes estão gargalos históricos na saúde regional, desafios logísticos e demandas estruturais que cresceram junto com o desenvolvimento acelerado da região. O próprio crescimento econômico do Sudoeste acabou revelando limitações urbanas e de infraestrutura que o Estado não conseguiu acompanhar na mesma velocidade.

No atual ciclo político, Caiado e Vilela também enfrentam cobranças importantes. Apesar da alta aprovação popular em Goiás, o Sudoeste ainda convive com desafios antigos ligados à infraestrutura, mobilidade e ampliação dos serviços públicos. Demandas relacionadas à malha rodoviária, crescimento urbano e fortalecimento da rede pública de saúde continuam presentes no debate regional.

Um exemplo simbólico dessas cobranças é a GO-174, no trecho entre Rio Verde e Montividiu. Fundamental para o escoamento da produção agrícola e para a logística do Sudoeste goiano, a rodovia há anos aparece como pauta prioritária para produtores, empresários e moradores da região.

Ao longo de diferentes governos estaduais, intervenções, recapeamentos, anúncios de melhorias e discussões sobre ampliação da capacidade da via foram apresentados. Ainda assim, parte da população entende que a importância econômica da região exige investimentos mais robustos e em ritmo mais acelerado. Em uma das áreas mais produtivas de Goiás, a percepção recorrente é de que a infraestrutura pública ainda cresce abaixo da velocidade do próprio desenvolvimento econômico.

E nesse cenário surge outra reflexão inevitável: Daniel Vilela conseguirá construir um legado político próprio ou seguirá permanentemente comparado à trajetória do pai? Filho de Maguito Vilela, um dos nomes mais respeitados da história política goiana, Daniel carrega uma herança política de grande peso. Maguito construiu sua imagem pública baseada na capacidade de diálogo, proximidade popular e forte articulação política. Foi prefeito, governador, senador e uma das figuras mais influentes do MDB em Goiás.

Daniel representa uma geração diferente, mais técnica e estratégica, mas ainda enfrenta o desafio de provar se possui a mesma força de liderança popular e capacidade de construção política que fizeram do pai uma referência estadual.

Enquanto isso, outros pré-candidatos começam a surgir nos bastidores da disputa estadual. Porém, até o momento, aparecem muito atrás de Marconi e Daniel em força política e competitividade eleitoral. Isso acontece porque ambos representam grupos consolidados há décadas, possuem forte presença no interior, alianças estruturadas, apoio regional e alto nível de reconhecimento junto ao eleitorado goiano.

Os demais nomes enfrentam dificuldades naturais: menor capilaridade política, pouca presença estadual, estruturas partidárias mais frágeis e dificuldades para romper a polarização já estabelecida entre os dois principais blocos políticos do Estado. E talvez esse seja justamente um dos maiores desafios da política goiana.

A cada eleição, Goiás parece reviver os mesmos grupos, os mesmos embates e as mesmas disputas históricas. Enquanto isso, temas fundamentais para a população acabam ficando em segundo plano.

Rio Verde cresceu. O Sudoeste prosperou. Mas os desafios também cresceram junto. A região continua precisando discutir mobilidade, saúde pública, planejamento urbano, qualificação profissional, infraestrutura e desenvolvimento sustentável. E nenhuma dessas pautas deveria existir apenas como promessa de campanha.

Talvez tenha chegado o momento de o eleitor abandonar a lógica da torcida política e fazer uma análise mais simples e objetiva: olhando ao redor, o que realmente melhorou?

As estradas melhoraram? A saúde avançou? O acesso aos serviços públicos acompanhou o crescimento da região? A qualidade de vida evoluiu no mesmo ritmo da economia?

Porque no fim, mais importante do que defender políticos é avaliar resultados concretos. E talvez Goiás também precise começar a discutir renovação política com mais maturidade. Não como rejeição automática ao passado, mas como abertura para novas ideias, novas lideranças e novas formas de gestão pública.

Democracias fortes não vivem apenas da polarização. Vivem da capacidade de olhar para o futuro sem medo de questionar velhos modelos e sem receio de discutir alternativas.

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