A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra se emocionou ao ouvir o nome da filha, Valentina, de 9 anos, durante audiência de custódia realizada após sua prisão na Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo. As imagens da audiência foram obtidas com exclusividade pelo portal Metrópoles.
Deolane foi presa na manhã de quinta-feira (21), em sua mansão localizada em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. A investigação aponta que ela teria ligação com o Primeiro Comando da Capital, além de participação em um esquema de lavagem de dinheiro atribuído à cúpula da organização criminosa.
A operação também teve como alvo Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado pelas autoridades como líder máximo da facção. Segundo a Polícia Civil, a investigação identificou movimentações financeiras suspeitas envolvendo uma transportadora utilizada pelo PCC para ocultar recursos ilícitos.
Durante a audiência virtual realizada no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Deolane afirmou ter sido presa “no exercício da profissão”. A defesa sustenta que os valores recebidos em sua conta bancária eram referentes à atuação jurídica em processos antigos ligados a clientes que ela representava como advogada.
“Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente”, declarou a influenciadora durante a audiência.
A investigação aponta que Deolane recebeu transferências de uma transportadora supostamente criada para lavagem de dinheiro do PCC. Para os investigadores, os depósitos não apresentavam justificativa compatível com prestação de serviços advocatícios, sendo descritos como “fechamento” de contas mensais da empresa investigada.
O cliente citado pela influenciadora seria Diogenes Gomes Barros, preso por roubo na Penitenciária de Irapuru, no interior paulista, e apontado pela investigação como integrante da facção criminosa. Ele é pai da filha de Deolane. Segundo o relatório final da Polícia Civil, a advogada acompanhou o detento em visitas até sua soltura, em dezembro de 2014.
A emoção tomou conta da audiência quando a advogada de defesa, Josimary Rocha, destacou que Deolane é mãe de uma criança menor de 12 anos e, por isso, teria direito à prisão domiciliar, conforme previsão legal. A influenciadora chorou ao ouvir a menção à filha.
A prisão preventiva decretada pela 3ª Vara do Foro de Presidente Venceslau foi mantida. A defesa já protocolou pedido para que Deolane cumpra prisão domiciliar, solicitação que ainda aguarda análise da Justiça.
Na manhã desta sexta-feira (22), a influenciadora deixou a Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista, e foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado.
As investigações também detalham o suposto papel do chamado “clã Camacho” no esquema milionário de lavagem de dinheiro. Além de Marcola, aparecem entre os investigados o irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, apontado como operador direto da transportadora; a sobrinha, Paloma Sanches Herbas Camacho, responsável pela intermediação de ordens financeiras; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, identificado como beneficiário de repasses ligados ao esquema.
Segundo a quebra de sigilo bancário obtida pela Polícia Civil, Leonardo teria movimentado cerca de R$ 746 mil em créditos considerados suspeitos, grande parte oriunda de depósitos em espécie sem identificação de origem.











