Folha de Notícias

Produtora que venceu o câncer três vezes lidera fazenda com 180 mil pés de banana em Santa Helena

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A trajetória de superação, fé e liderança feminina no agronegócio ganha destaque na história de Claudirene Mittelmann, produtora rural e empreendedora do mercado de venda direta que transformou desafios pessoais e profissionais em uma referência no setor. Catarinense, nascida em uma família humilde de agricultores familiares em Santa Catarina, Claudirene construiu uma jornada marcada pela resiliência e hoje comanda, ao lado do marido e dos filhos, uma propriedade familiar em Santa Helena de Goiás que produz mais de 4 mil toneladas de banana por ano.

Casada ainda jovem, Claudirene assumiu a produção de bananas aos 18 anos. Pouco tempo depois, ampliou sua atuação para a gestão financeira ao presidir, durante uma década, uma cooperativa de crédito no Sul do país, um ambiente historicamente masculino. “Quando fui presidente, entre 86 cooperativas, havia apenas duas mulheres no cargo”, relembra. Há 12 anos radicada em Goiás, ela segue à frente da produção rural e da gestão do negócio familiar.

Entre os momentos mais marcantes de sua vida, Claudirene destaca a luta contra o câncer, enfrentado em três ocasiões. “Hoje eu digo para as pessoas que o câncer é um processo de evolução”, afirma. A produtora relata que a doença surgiu inicialmente após um trauma emocional intenso, tornando-se um dos períodos mais difíceis de sua vida. Ainda assim, encontrou na fé e na família a força necessária para seguir em frente. “Toda vez que eu pensava em desistir, eu olhava para os meus filhos”, conta.

Segundo ela, um dos episódios mais emocionantes de sua história foi o nascimento de um filho após o tratamento oncológico, contrariando previsões médicas. “Os médicos diziam que eu nunca mais poderia ser mãe, e Deus me deu esse sinal. São milagres que fortalecem a gente”, disse.

Além da batalha pela saúde, Claudirene também enfrentou perdas patrimoniais e recomeços dolorosos. Para ela, o sucesso hoje tem um significado claro: “É ter minha família por perto, ter fé acima de tudo e saúde”.

No agronegócio, a empresária destaca que conquistar espaço como mulher exigiu firmeza, princípios e competência. “A mulher pode ocupar qualquer espaço. Ela não precisa ser menor nem maior que o homem, apenas fazer a coisa certa no lugar certo”, afirma. A produtora ressalta que o setor ainda é predominantemente masculino, mas acredita que valores sólidos e palavra cumprida são fundamentais para o reconhecimento profissional.

À frente da fazenda, Claudirene e a família administram 180 mil pés de banana, com uma produção anual superior a 4 mil toneladas. A operação emprega 34 colaboradores diretos com carteira assinada, além de cerca de 10 trabalhadores temporários durante o período de safra. A produção se intensifica entre abril e agosto, quando, segundo ela, “sai carreta de banana todos os dias”.

A rotina, no entanto, é cercada de incertezas climáticas e altos investimentos. Em 2021, uma geada destruiu completamente o bananal. No ano passado, um vendaval derrubou 60 mil pés em um único dia, provocando prejuízo milionário. “Você planta, cuida e reza. Empreender no agro exige muito equilíbrio emocional”, relata.

Para mulheres que desejam investir no setor, Claudirene deixa um conselho direto: “Faça aquilo que você gosta, dê o seu melhor nas condições que você tem e tenha equilíbrio emocional”. Mesmo após os 50 anos, ela planeja expandir a área cultivada. “Eu gosto de produzir banana. Ninguém me convence a mudar de cultura”, afirma.

A história de Claudirene Mittelmann é, acima de tudo, um retrato da força feminina no campo, onde fé, coragem e trabalho transformam adversidades em legado.

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