A safra 2025/26 deve impor ao agronegócio brasileiro um dos cenários mais desafiadores das últimas décadas. A avaliação é do especialista do BTG Pactual, Jean Miranda, que alerta para um ciclo marcado por margens cada vez mais apertadas, custos elevados e menor potencial de valorização das commodities, exigindo do produtor rural uma gestão mais estratégica, eficiente e cautelosa dentro da porteira.
Segundo Miranda, o principal ponto de atenção neste ciclo está no descompasso entre a evolução dos custos de produção e os preços das commodities agrícolas. “As commodities não devem subir na mesma intensidade dos custos. E isso muda completamente a lógica de decisão dentro da fazenda”, destaca.
Nesse contexto, o controle rigoroso de despesas passa a ser o principal diferencial competitivo no campo. Como o produtor não possui influência sobre a formação do preço das commodities no mercado, a eficiência operacional dentro da lavoura se torna decisiva para a manutenção da rentabilidade. “O produtor não controla o preço da commodity, mas controla o que acontece dentro da lavoura. Quem for eficiente, com manejo enxuto e decisões bem calibradas, vai sair na frente”, afirma o especialista.
A orientação se estende a toda a operação agrícola. Desde o uso de fertilizantes até o consumo de diesel, passando pela logística, aplicação de insumos e custos operacionais, cada etapa deve ser monitorada com máxima atenção. “Não é só sobre insumo. É sobre tudo: aplicação, logística, operação. É um ano de apertar o cinto e tomar muito cuidado com crédito e investimentos”, ressalta Miranda.
Entre os fatores mais críticos está a alta no preço do diesel, que impacta diretamente as operações no campo e também toda a cadeia produtiva. O aumento dos custos com combustíveis eleva o valor do frete, pressionando os preços em diferentes níveis e, ao final, recaindo sobre o produtor rural. “O frete fica mais caro e isso é repassado em todos os níveis. No fim, essa conta sempre chega ao produtor”, pontua.
A pressão sobre os combustíveis, conforme a análise, está diretamente relacionada ao cenário geopolítico internacional, especialmente aos conflitos no Oriente Médio, que afetam a oferta global de petróleo e influenciam os preços da energia em escala mundial.
Apesar das dificuldades, o mercado ainda apresenta sinais moderados de melhora na demanda global, o que pode oferecer algum suporte às commodities. Ainda assim, o cenário exige leitura atenta dos movimentos internacionais e planejamento de médio e longo prazo.
“Não é só olhar para a próxima safra. É entender o que está acontecendo no mundo, como conflitos e mudanças econômicas impactam fertilizantes, energia e demanda. Isso influencia diretamente as decisões do produtor”, conclui Jean Miranda.











