O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão da divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg publicada em 19 de maio, que apontava uma queda significativa do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto. A decisão foi tomada pelo presidente da Corte e relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, após representação apresentada pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia adotada no levantamento.
A medida cautelar impede a divulgação, o impulsionamento, a republicação e a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da empresa até que sejam analisados os questionamentos apresentados. Segundo o magistrado, há indícios de que o questionário utilizado possa ter ultrapassado os limites da aferição estatística regular e influenciado as respostas dos entrevistados.
Na decisão, Nunes Marques destacou que existem elementos que sugerem possível “contaminação das respostas”, especialmente em razão da inclusão de conteúdos relacionados à divulgação de áudios de investigação envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que vieram a público antes da realização da pesquisa. O caso ganhou repercussão após a divulgação de conversas que mencionavam pedido de financiamento para o filme Dark Horse.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com o questionário de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, afirmou o ministro.
Para Nunes Marques, a discussão não se resume a divergências metodológicas. Segundo ele, há uma alegação objetiva de que o questionário possa ter sido utilizado como instrumento de indução dos entrevistados.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, registrou.
O presidente do TSE também observou que outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel não apresentaram perguntas semelhantes às que constam no levantamento questionado, tampouco utilizaram recursos como a veiculação de áudios durante a aplicação do questionário.
Como parte da decisão, a AtlasIntel deverá apresentar documentação técnica complementar para comprovar a regularidade da metodologia empregada, especialmente em relação ao uso do material de áudio. O Ministério Público Eleitoral terá prazo de um dia para se manifestar sobre o caso, que ainda será submetido ao referendo da Corte.
A controvérsia surgiu após a divulgação dos resultados da pesquisa. Em levantamento realizado pela AtlasIntel em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparecia tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno. Na ocasião, Flávio registrava 47,8% das intenções de voto, enquanto Lula aparecia com 47,5%.
Já na pesquisa divulgada em 19 de maio, Lula passou a liderar o cenário com 48,9%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu para 41,8%, uma redução de seis pontos percentuais em comparação ao levantamento anterior.
Ao protocolar a representação no TSE, o Partido Liberal classificou a pesquisa como fraudulenta e sustentou que “o questionário teria sido estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”. A legenda também argumentou que a sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e as associações feitas entre o senador e Daniel Vorcaro teriam comprometido a imparcialidade da sondagem.
Segundo o partido, esses elementos “contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados”.
Agora, o futuro da pesquisa dependerá da análise técnica complementar exigida pelo TSE e da manifestação do Ministério Público Eleitoral, etapas que antecedem a decisão definitiva da Corte sobre a validade do levantamento.











