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Folha de Notícias

Muito além da estética, a queda de cabelo pode revelar doenças e alterações no organismo

Perder alguns fios de cabelo diariamente é considerado normal, mas uma queda intensa e persistente pode ser o primeiro sinal de que algo não vai bem com o organismo. Segundo a médica Dra. Brunna Camargo, a perda capilar pode estar relacionada a uma série de fatores, que vão desde deficiências nutricionais e alterações hormonais até problemas na tireoide, estresse, pós-parto, uso de medicamentos e doenças autoimunes. Identificar a causa precocemente é fundamental para controlar a queda e aumentar as chances de recuperação da saúde dos fios.

De acordo com a médica, é normal perder entre 50 e 100 fios de cabelo por dia, já que esse processo faz parte do ciclo natural de renovação capilar. O alerta deve ser aceso quando a queda se torna intensa e persiste por mais de dois ou três meses, especialmente se houver redução do volume dos cabelos, falhas visíveis no couro cabeludo ou aumento significativo da quantidade de fios encontrados no travesseiro, durante o banho ou ao pentear os cabelos.

“Nesses casos, é fundamental investigar a causa”, explica Dra. Brunna Camargo.

A especialista reforça que a queda de cabelo não deve ser encarada como uma doença isolada, mas como um sintoma que pode ter diferentes origens. Por isso, recorrer por conta própria a shampoos específicos, vitaminas ou suplementos pode não resolver o problema e ainda atrasar a identificação da causa real. “A queda de cabelo é um sintoma, não um diagnóstico”, afirma a médica.

Para chegar a um diagnóstico adequado, a avaliação deve considerar o histórico clínico do paciente, o exame do couro cabeludo e, quando necessário, a realização de exames laboratoriais. A investigação pode buscar sinais de deficiências nutricionais, alterações hormonais, doenças da tireoide, fatores genéticos, estresse e outras condições que possam estar interferindo no ciclo de crescimento dos fios.

Alterações hormonais estão entre as possíveis causas

Entre os fatores que podem provocar ou agravar a queda de cabelo estão as alterações hormonais. Os distúrbios da tireoide, tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo, estão entre as condições que podem interferir diretamente no ciclo de crescimento dos fios.

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) também pode estar associada à perda capilar. Nesses casos, o aumento dos níveis de andrógenos pode contribuir para o afinamento dos cabelos. Durante a menopausa, por sua vez, a redução do estrogênio pode favorecer a perda de densidade capilar.

Alterações nos níveis de testosterona e de outros hormônios androgênicos, hiperprolactinemia e, em determinadas situações, doenças das glândulas adrenais também podem estar relacionadas à queda.

“Por isso, cada paciente deve ser avaliado de forma individual, pois o tratamento depende da causa. Nem toda queda de cabelo é hormonal, e identificar a origem é o primeiro passo para um tratamento eficaz”, destaca Dra. Brunna.

Problemas na tireoide também podem afetar os fios

Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem provocar queda de cabelo. Os hormônios produzidos pela tireoide têm papel importante na regulação do ciclo de crescimento dos fios. Quando há alterações nessa produção hormonal, um número maior de cabelos pode entrar precocemente na fase de queda.

Além da perda capilar, os fios podem se tornar mais finos, ressecados e quebradiços, com consequente redução do volume. Segundo a médica, na maioria dos casos, quando a doença da tireoide é identificada e tratada adequadamente, a tendência é que a queda diminua e o crescimento dos fios seja restabelecido gradualmente ao longo dos meses.

Por esse motivo, diante de uma queda persistente, a investigação da função da tireoide pode fazer parte da avaliação médica para identificar possíveis alterações que estejam contribuindo para o problema.

Falta de nutrientes pode estar por trás da queda

As deficiências nutricionais também estão entre as causas frequentes de perda de cabelo. Ferro, vitamina D, vitamina B12, zinco, ácido fólico e proteínas são alguns dos nutrientes importantes para o crescimento e a manutenção saudável dos fios.

A deficiência de ferro, por exemplo, é apontada como uma das principais causas de queda capilar, especialmente entre mulheres, por reduzir a oxigenação do folículo piloso. A vitamina D também participa do ciclo de crescimento dos cabelos, enquanto a vitamina B12 está relacionada à formação das células e à saúde dos folículos capilares.

Apesar disso, a médica alerta que nem toda queda de cabelo está associada à falta de vitaminas ou nutrientes. Por isso, a suplementação não deve ser feita de forma indiscriminada.

“A suplementação só deve ser feita após avaliação médica e confirmação da deficiência, evitando o uso desnecessário e direcionando o tratamento para a verdadeira causa do problema”, orienta.

Estresse pode provocar queda meses depois do episódio

O estresse e a ansiedade também podem ter impacto significativo na saúde dos cabelos. Situações de intenso estresse físico ou emocional podem desencadear o chamado eflúvio telógeno, condição em que uma quantidade maior de fios entra precocemente na fase de queda.

Uma das características desse quadro é que a perda dos cabelos nem sempre acontece imediatamente após o período de estresse. Em geral, a queda pode surgir entre dois e três meses depois do evento desencadeante.

Quando a causa é identificada e tratada adequadamente, a condição costuma ser reversível. Por isso, diante de uma queda persistente ou de mudanças perceptíveis no volume dos cabelos, a recomendação é buscar avaliação médica e evitar tratamentos por conta própria.

A investigação individualizada permite identificar o que está provocando a perda dos fios e direcionar o tratamento para a origem do problema, aumentando as chances de controlar a queda e recuperar a saúde capilar.

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