Por Lucas Medeiros
Jornalista, assessor de imprensa e especialista em reputação para médicos e advogados
DRT 000/4040GO
A crescente presença da inteligência artificial na produção de conteúdos para as redes sociais tem levantado um debate que vai muito além da tecnologia. Circula no mercado a estimativa de que, em 2025, cerca de 80% do conteúdo publicado por marcas nas redes sociais já foi desenvolvido com apoio de IA. Independentemente da precisão desse número, o dado revela uma tendência clara: estamos caminhando para um ambiente onde o volume de conteúdo cresce, mas a qualidade da conexão humana diminui.
A própria Meta já sinalizou preocupação com esse movimento. E o motivo é simples: redes sociais foram criadas para conectar pessoas, compartilhar experiências e construir relações. Quando esse espaço passa a ser ocupado majoritariamente por conteúdos automatizados, existe um risco real de que máquinas passem a produzir conteúdo para outras máquinas consumirem. Nesse cenário, perde-se a essência do que sustenta qualquer estratégia de comunicação: a capacidade de gerar identificação, confiança e percepção de valor.
Essa preocupação não é isolada. O PR Scope 2025 reforçou exatamente esse ponto ao mostrar que as marcas estão cada vez mais em busca de profissionais que saibam interpretar comportamento humano, construir narrativas consistentes e utilizar a inteligência artificial como ferramenta, e não como protagonista. O diferencial competitivo deixou de ser acesso à tecnologia.
Hoje, o que realmente diferencia um profissional é a capacidade de transformar informação em história, e história em posicionamento. Dentro desse contexto, é preciso esclarecer um erro estratégico que se tornou comum, principalmente entre médicos, advogados e outros profissionais: a crença de que as redes sociais, por si só, são suficientes para construir autoridade, gerar novos negócios e escalar resultados. Não são. Rede social é vitrine. É cartão de visitas. É um excelente canal de distribuição. Mas ela não constrói reputação sozinha. Ela potencializa o que já existe. Quando bem utilizada, cumpre o papel de amplificar conteúdo próprio e reforçar aquilo que já foi validado por terceiros. E é exatamente aqui que entra uma das estratégias mais negligenciadas do mercado: a assessoria de imprensa. Existe uma diferença fundamental entre autopromoção e validação externa. Quando o próprio profissional fala sobre si, ele comunica. Quando a imprensa fala sobre ele, o mercado escuta. Isso acontece porque a mídia tradicional ainda carrega um ativo que nenhuma rede social conseguiu replicar com a mesma força: credibilidade.
A presença em veículos de comunicação relevantes não é apenas visibilidade. É construção de reputação. É o que muitos chamam de “selo de validação”. E esse selo não se compra. Ele se conquista por meio de relevância, consistência e estratégia. É o espaço editorial espontâneo, a chamada mídia ganha, que posiciona o profissional como fonte confiável, referência no assunto e autoridade perante o público. Acreditar que é possível alcançar esse nível de reconhecimento utilizando apenas o Instagram, mesmo com investimentos altos em tráfego pago, é uma das maiores ilusões do marketing atual. Alcance não é autoridade. Visualização não é reputação. Engajamento não é credibilidade. Na prática, o que se vê são perfis que produzem conteúdo diariamente, investem em anúncios, acumulam seguidores, mas não conseguem converter isso em percepção de valor. E sem percepção de valor, não há diferenciação. Sem diferenciação, o profissional entra em uma disputa baseada em preço. E essa é uma disputa que, cedo ou tarde, desvaloriza qualquer posicionamento. Existe, claro, uma exceção. Profissionais que optam por se tornar influenciadores digitais dentro do próprio nicho. Mas isso exige uma mudança completa de foco. Deixam de atuar majoritariamente na atividade-fim para se dedicar à produção constante de conteúdo. E mesmo assim, não há garantia de construção de autoridade sólida, apenas de alcance.
Para quem deseja construir reputação de verdade, especialmente em áreas onde a confiança é determinante, como medicina e direito, o caminho exige mais do que presença digital. Exige estratégia integrada. Exige construção de narrativa. Exige validação externa. A assessoria de imprensa cumpre exatamente esse papel. Ela conecta o profissional a veículos relevantes, amplia sua visibilidade para além das redes sociais e, principalmente, transfere credibilidade. Não se trata de aparecer mais, mas de aparecer melhor, nos lugares certos, com a mensagem certa. A inteligência artificial continuará evoluindo e, sem dúvida, será cada vez mais utilizada na produção de conteúdo. Mas ela não substitui a experiência, repertório, senso crítico e capacidade de leitura de contexto. Não constrói reputação. No máximo, acelera processos.
No final, o mercado não premia quem produz mais conteúdo. Premia quem constrói percepção. E a percepção não se automatiza. Ela se constrói com estratégia, consistência e, acima de tudo, validação pública.











