A rejeição da proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, pela Polícia Federal, provocou uma reviravolta nos bastidores da Operação Compliance Zero e aumentou a pressão para que ele retorne ao presídio federal de Brasília. A decisão da PF já foi comunicada ao ministro do STF André Mendonça, relator do caso.
Segundo fontes ligadas à investigação, a permanência de Vorcaro na Superintendência da Polícia Federal era sustentada pela expectativa de avanço concreto nas negociações de colaboração. No entanto, com a avaliação de que a proposta apresentada pela defesa foi considerada insuficiente, investigadores passaram a defender que o ex-dono do Banco Master volte ao mesmo regime prisional aplicado aos demais investigados da operação.
Nos bastidores da PF, a percepção predominante é de que Daniel Vorcaro tentou conduzir uma colaboração “excessivamente controlada”, sem avançar em pontos considerados centrais para a investigação. Integrantes da operação afirmam, reservadamente, que houve frustração com o material entregue pela defesa.
A avaliação interna é de que o ex-banqueiro concentrou esforços em minimizar danos e administrar as informações fornecidas, enquanto a investigação já teria avançado por outros caminhos. De acordo com fontes que acompanham as tratativas, a proposta foi rejeitada porque os investigadores entenderam que Vorcaro “não entregou novidades” em relação ao que a PF já possui.
Apesar da negativa da corporação policial, as negociações não foram encerradas. Isso porque a Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet, possui prerrogativa constitucional para conduzir acordos de colaboração de forma independente da Polícia Federal.
Em reunião realizada na tarde de quarta-feira (20) com a defesa de Vorcaro, a PGR sinalizou interesse em seguir discutindo a possível colaboração premiada.
Três pontos têm sido considerados cruciais nas negociações: o valor do ressarcimento, estimado em cerca de R$ 50 bilhões; a extensão do cumprimento da pena; e o alcance político das informações que podem ser entregues no acordo. Segundo fontes próximas às conversas, Vorcaro tenta garantir o direito de cumprir prisão domiciliar ao menos até eventual julgamento.
Enquanto isso, procuradores seguem analisando os anexos apresentados pela defesa e ainda não decidiram se aceitarão ou rejeitarão a proposta. Caso a PGR também recuse a colaboração, a tendência é de que as negociações sejam definitivamente encerradas, repetindo o movimento já adotado pela Polícia Federal.











