A médica generalista Lara Sousa Leal compartilhou detalhes de sua trajetória profissional e se emocionou ao relembrar os desafios enfrentados até conquistar espaço na medicina. Atuando atualmente em Unidade Básica de Saúde (UBS) e Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a profissional destacou que o desejo de seguir a carreira nasceu ainda na infância, mesmo diante de uma realidade distante da profissão.
“Escolhi a medicina desde a infância, e era algo que parecia um sonho impossível, pois em minha família não tínhamos nenhum médico, mas sempre gostei da oportunidade de poder cuidar das pessoas”, afirmou.
Ao falar sobre os momentos mais marcantes da carreira, Lara relembrou o período da pandemia da COVID-19 como um dos maiores desafios de sua vida profissional. Segundo ela, atuar na linha de frente durante um momento de incertezas exigiu preparo emocional, coragem e adaptação constante.
“Acredito que um marco na minha carreira foi ter trabalhado durante a pandemia da COVID. Tínhamos que lidar com algo desconhecido, que nos desafiava todos os dias”, destacou.
Mesmo diante das dificuldades naturais da profissão, a médica afirma nunca ter pensado em desistir do sonho construído ao longo da vida. Para ela, os obstáculos se transformaram em combustível para continuar exercendo a medicina.
“Sempre foi um sonho viver o que vivo hoje. Existem dificuldades, mas elas se tornaram motivação para continuar vivendo esse sonho”, declarou.
Durante a entrevista, Lara também chamou atenção para um dos pontos que considera mais desafiadores na rotina médica: compreender as particularidades de cada paciente e lidar diariamente com histórias, dores e emoções distintas.
“O maior desafio é lidar com a particularidade de cada paciente. Cada um tem suas próprias demandas e experiências, isso faz com que tanto eu quanto o paciente possamos aprender algo ao fim de cada consulta”, explicou.
Ela ainda ressaltou o impacto emocional que o vínculo entre médico e paciente pode gerar. “O que me faz refletir o quanto somos relevantes na vida de cada paciente, os quais às vezes compartilham conosco sentimentos que talvez nem seus familiares tenham conhecimento”, acrescentou.
Em uma área historicamente marcada pela predominância masculina, a médica acredita que a sensibilidade feminina pode fazer diferença no cuidado com o paciente. Segundo ela, o acolhimento e a escuta humanizada se tornaram características essenciais em sua atuação.
“A vontade de ser relevante no meu trabalho, além disso, nossa forma de lidar com o outro é diferente. Conseguimos uma abordagem mais sensível e muitas vezes é isso que o paciente precisa, que vai além do conhecimento técnico”, pontuou.
Para Lara, seu principal diferencial profissional está justamente na maneira de conduzir os atendimentos. “Um atendimento humanizado, além de uma condução da consulta de forma mais leve e compreensiva, entendendo a pessoa como um todo”, afirmou.
Ao deixar uma mensagem para mulheres que desejam ingressar na área da saúde, mas enfrentam medo, ansiedade e insegurança diante do vestibular, a médica reforçou a importância da persistência e da fé.
“O mais importante é ter persistência no sonho. Muitas vezes a nossa vontade não acontece da forma que queremos, mas existe um Deus soberano que faz tudo no tempo certo”, disse.
Encerrando a entrevista, Lara deixou um recado para mulheres que ainda não deram o primeiro passo rumo à realização profissional por medo de falhar. “O principal é manter o sonho vivo, independente da idade ou da fase da vida em que se está. Sempre há uma oportunidade para quem está disposto a usar aquilo que tem em suas mãos.”











