O senador Flávio Bolsonaro aproveitou sua passagem por Luís Eduardo Magalhães, um dos principais polos do agronegócio brasileiro, para reforçar o discurso político voltado às eleições de 2026. Durante participação na Bahia Farm Show, nesta terça-feira (9), o parlamentar fez críticas ao governo federal, defendeu o setor agropecuário e voltou a associar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao que classificou como postura branda diante do crime organizado.
A cidade do oeste baiano é considerada um dos principais redutos bolsonaristas da Bahia. Foi um dos poucos municípios do estado em que o ex-presidente Jair Bolsonaro saiu vitorioso nas eleições presidenciais de 2018 e 2022. No primeiro pleito, Bolsonaro venceu em apenas quatro dos 417 municípios baianos. Já em 2022, repetiu o desempenho em apenas duas cidades, entre elas Luís Eduardo Magalhães.
A visita ocorreu durante a Bahia Farm Show, um dos maiores eventos de tecnologia e negócios do agronegócio do país. Flávio esteve acompanhado do prefeito Júnior Marabá e do presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado, João Roma.
Recebido por apoiadores, o senador agradeceu a receptividade e destacou a ligação do público local com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não tenho como agradecer o carinho que eu estou recebendo de cada um de vocês aqui. Um monte de gente mostrando foto com o presidente Bolsonaro no passado e completando o álbum agora tirando foto comigo”, afirmou.
Em discurso direcionado aos produtores rurais, Flávio Bolsonaro criticou o tratamento dado ao agronegócio pelo governo federal e defendeu a importância econômica do setor. “Vocês carregam esse Brasil nas costas e não merecem que um presidente trate o agro como se fosse fascista, como se fosse bandido”, declarou.
O senador também elevou o tom contra a criminalidade e prometeu combater organizações criminosas que atuam no país. “Vamos libertar cada baiano que hoje mora numa área dominada por narcoterroristas”, disse.
Em outro momento, voltou a atacar a política externa do governo Lula e mencionou as principais facções criminosas brasileiras. “Um governo federal que vai defender traficantes de PCC e Comando Vermelho fora do Brasil. Enquanto a gente aqui, nós, o povo brasileiro, vamos trabalhar para que eles fossem considerados terroristas pelo que eles são”, afirmou.
A declaração faz referência à recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Dois dias antes do anúncio oficial do presidente americano Donald Trump, Flávio Bolsonaro afirmou ter solicitado pessoalmente ao líder republicano que adotasse a medida.
A classificação, entretanto, tem gerado preocupação dentro do governo brasileiro. Integrantes da gestão Lula avaliam que a decisão pode abrir espaço para ações mais rigorosas dos Estados Unidos envolvendo questões de segurança e combate ao crime organizado em território nacional.











