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Folha de Notícias

Aos 13 anos, ela começou como manicure; hoje, advogada, inspira mulheres com uma trajetória de fé e superação

Aos 13 anos, Isabel Fagundes da Silva começou a trabalhar como manicure e pedicure, cobrando R$ 10 para fazer mãos e pés. Anos depois, decidiu investir em uma nova profissão, enfrentou dificuldades financeiras, ouviu pessoas duvidarem de sua capacidade e chegou a acreditar que não conseguiria manter o próprio escritório. Hoje, advogada em Rialma, ela olha para a própria trajetória com orgulho e leva consigo uma certeza: as dificuldades não precisam determinar até onde uma mulher pode chegar.

Sua história é marcada por trabalho, renúncias e determinação. Inspirada pela mãe, que trabalhava como cabeleireira, Isabel também se profissionalizou na área da beleza e encontrou no próprio esforço o caminho para conquistar independência financeira. Mas havia outro sonho que desejava realizar: tornar-se advogada.

Em 2021, tomou uma das decisões mais importantes de sua vida. Durante seis meses, dedicou-se intensamente aos estudos para conquistar a aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O período exigiu abrir mão de parte da convivência social e enfrentar momentos de isolamento e sofrimento. O esforço, porém, trouxe o resultado esperado: a aprovação que marcou o início de uma nova etapa profissional.

O começo na advocacia, entretanto, esteve longe de ser fácil. Para pagar as próprias despesas, Isabel continuou trabalhando como cabeleireira enquanto tentava construir sua carreira jurídica. Com o incentivo do advogado Raimundo, de Rialma, encontrou coragem para iniciar sua trajetória em um escritório. O apoio da mãe também foi decisivo, tanto na aquisição dos primeiros móveis quanto na ajuda financeira para tirar o projeto do papel.

A realidade da profissão trouxe desafios que ela ainda não estava preparada para enfrentar. Sem dominar completamente a prática jurídica, Isabel precisou lidar com dificuldades financeiras, inseguranças e comentários de pessoas que questionavam sua capacidade. Em um dos momentos mais difíceis, precisou levar os móveis do pequeno escritório de volta para casa, experiência que descreve como uma profunda sensação de derrota.

Aquele episódio, contudo, não representou o fim de seu sonho. Isabel buscou orientação de profissionais mais experientes, aprofundou seus conhecimentos práticos, começou a atuar como advogada dativa e manteve o trabalho na área da beleza para garantir seu sustento. Aos poucos, conquistou a confiança da população de Rialma, estruturou o escritório e passou a receber clientes por indicação.

Ao recordar esse período, a advogada identifica justamente na capacidade de continuar, mesmo diante das adversidades, uma de suas maiores conquistas. Para ela, o sucesso não está restrito ao reconhecimento público ou à estabilidade financeira, mas também na evolução pessoal e profissional alcançada ao longo do caminho.

“Sucesso é olhar para a minha história e perceber o quanto consegui evoluir, apesar das dificuldades. É ter a confiança dos meus clientes, saber que meu trabalho faz diferença na vida das pessoas e conquistar, com dignidade, o espaço que um dia parecia tão distante”, afirma.

A fé em Deus também ocupa um lugar central nessa trajetória. Isabel conta que, nos momentos em que não sabia como pagaria as despesas ou conseguiria novos clientes, recorria à oração em busca de força, sabedoria e direção. Com o tempo, as indicações começaram a chegar, os resultados apareceram e a profissional passou a enxergar os frutos da persistência.

“Hoje, entendo que o sucesso também está em não abandonar a si mesma diante das dificuldades. Ainda não cheguei aonde desejo, mas já consigo enxergar os frutos de não ter desistido”, destaca.

Uma mulher que decidiu acreditar na própria capacidade

Em um ambiente profissional no qual ainda existem desafios relacionados à igualdade de oportunidades e ao reconhecimento das mulheres, Isabel encontrou no próprio propósito a motivação para conquistar espaço. Ao longo da caminhada, enfrentou comentários que tentavam diminuir suas conquistas e situações em que sentiu que precisava provar constantemente que era capaz de exercer a profissão.

A resposta veio por meio do trabalho, do estudo e da dedicação aos clientes. Em vez de permitir que a descrença alheia determinasse seu futuro, a advogada escolheu continuar construindo sua carreira.

Para ela, as mulheres têm capacidade de ocupar posições de liderança, tomar decisões e desenvolver trajetórias sólidas em qualquer área. O reconhecimento profissional, em sua visão, deve ser resultado do preparo, das oportunidades e da confiança necessária para exercer cada função.

“Acredito que nós, mulheres, temos capacidade de ocupar espaços de liderança, tomar decisões e construir carreiras sólidas em qualquer profissão. Não precisamos ser melhores do que ninguém para merecer nosso lugar. Precisamos ter oportunidades, preparo e confiança para exercer nosso trabalho”, ressalta.

Essa experiência também influenciou a maneira como Isabel conduz sua atuação jurídica. Consciente de que muitos clientes procuram um advogado em momentos de preocupação e vulnerabilidade, ela procura oferecer atendimento individualizado, orientação clara e responsabilidade em cada caso.

A profissional acompanha pessoalmente diferentes etapas do trabalho, desde os atendimentos e a elaboração de petições até as audiências e o andamento dos processos. Para ela, a confiança construída com cada cliente é uma das principais demonstrações de que está no caminho certo.

“Fico especialmente feliz quando alguém chega ao meu escritório dizendo que me procurou por indicação de outro cliente. Para mim, isso demonstra que a confiança está sendo construída por meio do meu trabalho”, afirma.

Isabel também reconhece que o aprendizado não termina com a formação acadêmica ou a conquista da carteira profissional. No início da carreira, precisou pedir ajuda, estudar procedimentos e aprender com advogados mais experientes. Essa vivência reforçou a importância de reconhecer as próprias limitações e buscar conhecimento continuamente.

A escolha pela advocacia nasceu do desejo de construir uma carreira que unisse crescimento profissional e serviço ao próximo. Ao longo do tempo, ela percebeu que orientar pessoas, esclarecer direitos e buscar soluções para problemas concretos dá sentido à profissão que escolheu.

Violência psicológica e os obstáculos à independência feminina

A experiência de enfrentar situações de desvalorização também contribuiu para a reflexão de Isabel sobre a violência psicológica e seus impactos na vida profissional das mulheres.

Na avaliação da advogada, humilhações, controle e desqualificações constantes podem comprometer a autoestima e a confiança, fazendo com que algumas mulheres abandonem planos ou sintam medo de buscar novas oportunidades. Em determinadas relações, o controle exercido pelo parceiro pode ainda dificultar o acesso ao trabalho, à renda própria e à independência financeira.

Isabel ressalta, entretanto, que nem toda crítica configura violência psicológica. O problema está em comportamentos que buscam diminuir, controlar ou comprometer a autonomia de outra pessoa.

“Por isso, acredito que precisamos incentivar relações baseadas no respeito e na valorização das mulheres. Nenhuma mulher deveria precisar abrir mão dos seus sonhos por medo, humilhação ou controle. Ter autonomia, oportunidades e liberdade para construir a própria história é fundamental para que cada uma possa desenvolver seu potencial”, afirma.

A mensagem se conecta diretamente à própria trajetória. Para a advogada, conquistar independência não significa apenas alcançar estabilidade financeira, mas também ter liberdade para tomar decisões, reconhecer o próprio valor e construir o futuro que deseja.

A coragem de começar, mesmo sem ter tudo pronto

Ao deixar uma mensagem para mulheres que desejam iniciar uma carreira, mas ainda enfrentam insegurança, Isabel defende que o primeiro passo não precisa esperar pelo cenário ideal. Sua experiência mostrou que é possível começar com poucos recursos, aprender durante o percurso e buscar apoio quando necessário.

“Meu conselho é: não espere perder todo o medo para começar. Muitas vezes, a coragem não aparece antes do primeiro passo; ela é construída enquanto caminhamos”, aconselha.

A advogada também destaca a importância de não comparar a própria trajetória com a de outras pessoas. Para ela, começar com uma estrutura simples, enfrentar dificuldades ou precisar de mais tempo para alcançar determinado objetivo não diminui o potencial de ninguém.

Sua história, construída entre o trabalho na área da beleza e a consolidação na advocacia, demonstra que a mudança de carreira pode exigir sacrifícios, paciência e disposição para recomeçar. Mais do que uma conquista profissional, a trajetória representa a decisão de continuar investindo em si mesma mesmo quando os resultados ainda pareciam distantes.

Hoje, Isabel reconhece que ainda tem muitos objetivos a alcançar, mas já consegue identificar o quanto avançou desde os primeiros passos. E é justamente essa percepção que deseja compartilhar com outras mulheres.

“Você não precisa provar seu valor para quem duvida de você. Precisa apenas continuar construindo a mulher e a profissional que deseja se tornar”, afirma.

Ao encerrar sua participação no projeto Elas Brilham, Isabel deixa uma mensagem que resume a essência de sua caminhada: acreditar em si mesma, mesmo quando faltam incentivos externos, pode ser o começo de uma transformação.

“Se for preciso, seja você a primeira pessoa a acreditar no seu sonho. Não permita que a falta de confiança dos outros faça você desistir daquilo que nasceu no seu coração. A sua história ainda está sendo escrita, e você pode transformar suas dificuldades em força para chegar muito mais longe do que imagina.”

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