A crise das Casas Bahia virou motivo para uma das trocas mais duras entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) no último debate antes do primeiro turno para o governo de São Paulo.
Durante o confronto promovido pela TV Globo, Tarcísio questionou Haddad sobre a situação econômica do país e citou o crescimento dos pedidos de recuperação judicial. Entre os exemplos mencionados pelo governador estavam Casas Bahia, Tok&Stok, Habib’s e Marabraz.
Tarcísio afirmou que milhões de empresas brasileiras estão endividadas e relacionou o cenário às dificuldades de crédito e à condução das contas públicas pelo governo Lula.
Haddad respondeu lembrando a situação fiscal deixada pelo governo anterior e, ao chegar às Casas Bahia, elevou o tom.
“Não me vem falar de Casas Bahia”, disse Haddad, antes de chamar de “pedófilo” o empresário ao qual fazia referência e afirmar que não defenderia “empresário que é criminoso”.
Tarcísio respondeu que o problema estaria justamente na forma como empresários e empreendedores são tratados.
Haddad se referia a Saul Klein
A fala do petista fazia referência a Saul Klein, filho de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia.
Em maio deste ano, a Justiça de São Paulo aceitou parcialmente denúncia do Ministério Público e tornou Saul réu sob acusações de exploração sexual de mulheres e adolescentes, tráfico de pessoas e organização criminosa. A defesa sustenta que as relações eram consensuais e afirma confiar que as acusações serão rejeitadas ao final do processo.
Portanto, apesar da expressão utilizada por Haddad no debate, Saul Klein é réu e não há condenação definitiva contra ele.
Saul não administra atualmente as Casas Bahia
Outro ponto importante é que a frase de Haddad pode transmitir uma associação que não corresponde à estrutura atual da companhia.
Saul Klein não administra atualmente as Casas Bahia. Ele vendeu sua participação na varejista ao irmão Michael Klein em 2010. Hoje, o controle da empresa está nas mãos da gestora Mapa Capital, por meio da Domus VII Participações, que detém mais de 80% do capital. A família Klein mantém participação minoritária e representação no conselho. UOL Economia
As Casas Bahia entraram com pedido de recuperação judicial em agosto, declarando aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas. A empresa atribuiu a decisão à necessidade de reorganizar seus passivos e preservar a operação.
Debate virou disputa sobre economia
O episódio aconteceu quando Tarcísio pressionava Haddad, ex-ministro da Fazenda de Lula, sobre ajuste fiscal, dívida pública e empresas em dificuldades financeiras.
Depois da resposta sobre as Casas Bahia, os dois continuaram trocando críticas sobre gastos públicos, o governo Bolsonaro e o modelo econômico defendido por cada campo político.











