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Folha de Notícias

Papa Leão XIV critica união entre extrema direita e religião: “Não é cristianismo autêntico”

O papa Leão XIV fez uma crítica direta à associação entre posições de extrema direita e determinadas formas de religiosidade durante conversa com jornalistas nesta segunda-feira (28).

A declaração ocorreu no voo de Metz, na França, para Roma, no encerramento de uma viagem apostólica de quatro dias ao país. Questionado sobre a queda no número de católicos na Alemanha e o crescimento de movimentos políticos extremistas, o pontífice disse observar sinais de aproximação entre os dois fenômenos.

Segundo Leão XIV, algumas manifestações têm combinado posições de extrema direita com um determinado tipo de religião.

O papa destacou que tanto lideranças da Igreja Católica quanto da Igreja Protestante na Alemanha já se manifestaram sobre essa aproximação.

“Isso não constitui uma expressão autêntica do cristianismo”, afirmou.

“Não são valores de ódio e divisão”

Leão XIV afirmou que a resposta da Igreja deve passar pelos valores centrais do Evangelho.

Segundo o pontífice, esses valores não estão baseados em “ódio e divisão”, mas em “compreensão, compaixão e acompanhamento”.

Ele também defendeu maior participação das pessoas nos processos políticos, orientada, segundo sua visão, pela busca do bem comum.

O papa afirmou esperar que a Igreja consiga dialogar com a maioria das “pessoas de boa vontade” e alertou para ideias extremistas que, segundo ele, podem causar danos maiores do que aqueles percebidos atualmente.

Pergunta partiu da situação na Alemanha

A declaração aconteceu depois que um jornalista alemão questionou o pontífice sobre dois movimentos observados no país: a diminuição do número de fiéis e o avanço de partidos classificados como extremistas.

Leão XIV ponderou que seria necessário estudar se existe uma relação direta entre os fenômenos.

Ele também demonstrou otimismo sobre o futuro do catolicismo alemão, afirmando acreditar que ainda existem muitas pessoas interessadas em viver e celebrar a fé cristã no país.

O pontífice disse ainda esperar visitar a Alemanha, embora nenhuma viagem ao país esteja oficialmente programada até o momento.

Papa também falou sobre guerras e política

Durante a mesma coletiva, Leão XIV abordou conflitos internacionais, gastos militares, inteligência artificial, migração, situação da Igreja na Europa e a relação entre religião e política.

Ao falar sobre Rússia e Ucrânia, pediu que os dois países busquem diálogo para encerrar a guerra e criticou o crescimento mundial dos investimentos em armamentos.

O papa também afirmou que, quando a Igreja se manifesta sobre questões sociais, entende estar aplicando os ensinamentos do Evangelho à vida pública, e não atuando diretamente na política partidária.

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