A médica Marcella Segato de Sousa Melo, afastada do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, após a divulgação de mensagens em que orientava colegas a não conceder alta a pacientes durante o fim de semana das eleições porque “a maioria é petista”, se manifestou nesta quarta-feira (7) sobre o caso.
Em nota, a ginecologista e obstetra pediu desculpas às pacientes, familiares, colegas, internos e ao hospital e afirmou que as mensagens não chegaram a se transformar em uma conduta médica inadequada.
“Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada”, declarou. Segundo Marcella, todas as mulheres internadas foram avaliadas e liberadas exclusivamente a partir de critérios clínicos, sem consideração sobre preferência política.
Mensagem foi enviada antes da votação
O caso ganhou repercussão após a divulgação de prints de um grupo de WhatsApp formado por profissionais da maternidade.
Na mensagem enviada na sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno das Eleições 2026, Marcella escreveu aos colegas que estariam na enfermaria durante o fim de semana para não darem alta a ninguém, afirmando que “a maioria é petista”.
A publicação recebeu reações de participantes do grupo, e um dos profissionais respondeu “combinado”. Os registros foram divulgados inicialmente pela TV Anhanguera e posteriormente confirmados por outros veículos.
Com a repercussão, surgiram questionamentos sobre eventual uso de critérios político-eleitorais em decisões relacionadas à permanência das pacientes no hospital.
Até o momento, porém, não foi apresentada publicamente comprovação de que alguma paciente tenha efetivamente permanecido internada por mais tempo em razão de sua preferência política. A médica sustenta que isso não ocorreu.
Médica pede desculpas
Na manifestação divulgada nesta quarta-feira, Marcella reconheceu que as mensagens destoaram do compromisso que deveria orientar sua atuação profissional.
Ela afirmou ainda que o voto é secreto e precisa ser respeitado sem qualquer tipo de retaliação e destacou que trabalha na área desde 2017, período em que, segundo ela, realizou milhares de partos de mulheres de diferentes origens e convicções.
Hospital diz que médica não voltará às atividades
O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara afastou Marcella após tomar conhecimento das mensagens.
A unidade informou que as declarações foram feitas em um grupo privado e representam posicionamentos pessoais da profissional, não refletindo a posição do hospital. A direção também afirmou que não admite discriminação e que o atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde deve ser realizado de forma impessoal, ética e igualitária.
Nesta quarta-feira, o hospital informou ainda que Marcella não retornará às atividades na unidade.
A instituição pediu desculpas a pacientes e trabalhadores que tenham se sentido atingidos pela situação e disse ter iniciado procedimentos internos para apurar o episódio.
Prefeitura e Cremego acompanham o caso
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia também abriu uma apuração administrativa. Segundo a pasta, decisões relacionadas à internação, permanência hospitalar e alta devem obedecer exclusivamente a critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que denúncias envolvendo possíveis infrações éticas praticadas por médicos são apuradas sob sigilo, conforme determina a legislação aplicável aos processos ético-profissionais.
O episódio também foi levado ao Ministério Público Federal para análise.
Enquanto as apurações continuam, a defesa apresentada pela médica acrescenta um novo elemento ao caso: ela reconhece e pede desculpas pelas mensagens, mas nega que a orientação tenha interferido efetivamente no atendimento ou na alta de qualquer paciente.











