O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se emocionou e chegou a chorar durante entrevista ao Jornal da Record ao comentar as propostas econômicas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e fazer uma comparação com o governo do presidente argentino Javier Milei. Lula afirmou que a possibilidade de adoção de medidas semelhantes no Brasil o preocupa e criticou o que classificou como consequências das políticas implementadas na Argentina.
Durante a entrevista, Lula relatou que a primeira-dama Janja da Silva havia mostrado a ele uma declaração atribuída a uma integrante da equipe econômica de Flávio Bolsonaro. A fala ocorreu depois de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do candidato, afirmar publicamente que Milei é uma referência para o projeto econômico de Flávio.
Ao comentar o assunto, Lula questionou quais seriam os efeitos de uma eventual adoção dessas medidas no Brasil e fez uma referência ao consumo de carne na Argentina.
“Ontem a Janja me mostrou que uma senhora que se diz chefe econômica da campanha do Flávio disse que, se eles ganharem, vão aplicar no Brasil as políticas econômicas do Milei. Como assim? Vocês vão botar a sociedade brasileira para comer carne de jumento?”, afirmou.
Em seguida, o presidente fez uma série de críticas ao governo Milei e atribuiu à atual situação econômica argentina consequências como dificuldades para idosos, problemas na educação e aumento da mortalidade infantil. Essas afirmações foram apresentadas por Lula durante a entrevista e não foram confirmadas de forma independente na declaração.
“Lá, o Milei cortou aposentadoria de idosos de 80 anos, que hoje moram na rua, comem lixo e estão morrendo com depressão. Cortou o dinheiro da educação e tem universidade sem água para os alunos beberem. A mortalidade infantil aumentou porque as mães não têm o que dar para os seus filhos comerem”, declarou.
Visivelmente emocionado, Lula afirmou que considera preocupante a possibilidade de os brasileiros apoiarem medidas que, segundo ele, poderiam produzir consequências semelhantes às que atribui à Argentina.“Eu fico emocionado falando sobre isso porque parece uma loucura. Não é possível que os brasileiros estejam tão cegos de ódio que queiram fazer seus irmãos comerem lixo”, disse.
A declaração ocorre em meio à disputa presidencial de 2026. O plano de governo de Flávio Bolsonaro prevê um chamado “tesouraço”, com redução de despesas, corte de pelo menos dez ministérios, diminuição de cargos comissionados e reformulação das regras fiscais. O documento também propõe mudanças na reforma tributária.
A equipe econômica de Flávio, por sua vez, tem associado parte das propostas às reformas promovidas por Milei na Argentina, incluindo medidas de desregulamentação e redução de gastos públicos.











