Candidato ao Senado, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha (PRD) aderiu nesta terça-feira (15) ao pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma iniciativa articulada nacionalmente pelo ex-procurador da Lava Jato e candidato ao Senado pelo Paraná, Deltan Dallagnol.
Mendanha é o primeiro candidato ao Senado por Goiás a assinar o documento, aumentando o peso político do tema na disputa eleitoral goiana.
A representação deverá ser encaminhada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e utiliza como fundamento informações reveladas durante as investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Todos somos iguais perante a lei e precisamos ser cobrados com o mesmo rigor. Se um ministro do Supremo descumpriu a lei, ele precisa ser investigado e, se o crime for comprovado, punido”, declarou Mendanha ao anunciar a adesão.
Caso Master aumenta pressão sobre Moraes
A ofensiva ocorre em meio a uma das maiores crises recentes dentro do Supremo.
Relatórios e mensagens apreendidos durante as investigações do Banco Master levantaram questionamentos sobre contatos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O caso também envolve um contrato firmado entre o banco e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O contrato previa aproximadamente R$ 131 milhões em honorários durante três anos e incluía, entre os serviços previstos, consultoria jurídica e estratégica perante órgãos públicos. O escritório confirmou que Moraes foi consultado sobre possíveis impedimentos antes da assinatura, mas sustenta que o ministro não atuou em processos de interesse do Banco Master.
Moraes nega irregularidades e afirma que as acusações envolvendo sua atuação são infundadas. O ministro também reagiu duramente ao relatório levado ao STF pelo ministro André Mendonça, classificando o documento como uma “farsa” e alegando motivação político-eleitoral.
Mendanha já havia pedido afastamento
A assinatura do pedido de impeachment representa um novo passo no posicionamento que Mendanha já vinha adotando.
No início de setembro, o candidato goiano havia defendido publicamente que Moraes se afastasse temporariamente do Supremo enquanto as suspeitas relacionadas ao Banco Master fossem esclarecidas.
Na ocasião, Mendanha afirmou que os fatos eram “graves demais para serem tratados como mais uma disputa política” e cobrou do Senado uma atuação mais firme.
Agora, ao aderir formalmente ao movimento pelo impeachment, ele endurece sua posição e leva a discussão diretamente para a campanha ao Senado.
“Respeito o Supremo Tribunal Federal como instituição. Mas ninguém pode estar acima da lei. Se houver comprovação de crime de responsabilidade, não vou ter receio de votar pela penalização de quem quer que seja”, afirmou Mendanha.
Moraes já enfrenta outros pedidos no Senado
O documento apoiado por Mendanha não é a única iniciativa contra Alexandre de Moraes.
O Senado já registra formalmente outras representações pedindo responsabilização do ministro.
Uma delas é a Petição nº 20 de 2026, assinada pela senadora Damares Alves e por outros parlamentares, entre eles o senador goiano Wilder Morais. O pedido tem como fundamento o artigo 52 da Constituição e dispositivos da Lei nº 1.079/1950 e aguarda despacho no Senado.
Outro pedido, apresentado pelo senador Carlos Viana, também está em tramitação.
Damares chegou a pedir publicamente a renúncia de Moraes ao mencionar as revelações relacionadas ao Banco Master e afirmou que as informações deveriam ser examinadas pelo Senado.
A OAB do Distrito Federal também aprovou o encaminhamento de proposta para abertura de processo de impeachment contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, alegando a existência de indícios que deveriam ser investigados.
Tema entra de vez na eleição em Goiás
Ao ser o primeiro senadoriável goiano a aderir à iniciativa articulada por Dallagnol, Mendanha transforma o episódio em um componente direto da disputa pelo Senado em Goiás.
E isso tem peso político.
É justamente o Senado Federal que possui competência constitucional para processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal nos casos previstos pela legislação.
Com a eleição marcada para outubro e a crise envolvendo o STF ocupando cada vez mais espaço no debate nacional, a posição dos candidatos sobre Alexandre de Moraes pode se transformar em mais um divisor de águas na corrida pelas vagas de Goiás no Senado.
Mendanha decidiu deixar sua posição clara: se chegar a Brasília e houver comprovação de crime de responsabilidade, afirma que votará pela responsabilização do ministro.











