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Folha de Notícias

Igreja Católica entra no debate eleitoral, mas não declara apoio direto a nenhum candidato 

A participação da Igreja Católica no debate eleitoral de 2026 voltou a ganhar força nesta semana, mas, diferentemente do que passou a circular nas redes sociais, a instituição não declarou apoio oficial à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Bispos ligados à CNBB Regional Norte 1 divulgaram uma mensagem dentro da campanha “Eu voto pela Amazônia”, defendendo participação política consciente, preservação ambiental, soberania nacional, democracia e proteção de indígenas, comunidades tradicionais e populações vulneráveis.

A manifestação ocorre em plena reta final da campanha presidencial e pode ser interpretada politicamente por diferentes grupos, especialmente porque alguns dos temas destacados também aparecem no discurso eleitoral de Lula. Mas o documento não pede voto no petista e não menciona apoio a qualquer candidatura.

CNBB é clara: Igreja não indica candidato

Em sua mensagem oficial para as eleições de 2026, divulgada em junho, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil afirmou que a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos políticos.

O texto orienta os fiéis a analisar trajetória, propostas, compromissos e comportamento dos candidatos, além de defender respeito às instituições, combate à corrupção, rejeição à compra de votos e confiança no processo eleitoral.

Nas últimas semanas, a CNBB também lançou uma série chamada “Discernimento Católico – Eleições 2026”, na qual reforça que a decisão eleitoral cabe ao cidadão e deve considerar princípios da Doutrina Social da Igreja, diálogo, bem comum e responsabilidade pessoal.

Presidente da CNBB criticou Lula nesta semana

Outro fato que enfraquece a tese de apoio institucional a Lula é que o presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, criticou publicamente uma declaração do presidente nesta quarta-feira (23).

Lula havia afirmado, durante encontro com lideranças protestantes, que a Igreja Católica cresceria menos do que as igrejas evangélicas por manter o celibato sacerdotal.

Segundo Spengler, a fala provocou “desconforto” dentro da Igreja e foi considerada uma comparação inadequada entre questões religiosas.

De onde surgiu a confusão

A confusão ganhou força porque a reportagem sobre os bispos amazônicos também citava, no mesmo contexto, o pastor evangélico Leonardo Borges, que declarou voto em Lula e incentivou evangélicos progressistas a se posicionarem.

A declaração do pastor, entretanto, é uma manifestação pessoal e não representa a CNBB nem a Igreja Católica.

Portanto, a Igreja Católica entrou de forma ativa no debate sobre as eleições, mas sua posição oficial continua sendo de não indicar candidatos nem partidos.

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