A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou nesta semana um reforço internacional de peso no campo cultural. A equipe do cantor porto-riquenho Bad Bunny autorizou o uso de “Lo Que Le Pasó a Hawaii” em uma peça da campanha presidencial de 2026, segundo informações divulgadas pela equipe do petista.
O vídeo foi publicado nas redes de Lula na terça-feira (23) e utiliza uma versão adaptada da composição para abordar soberania brasileira, recursos naturais e relações com os Estados Unidos. A peça também faz críticas políticas a Flávio Bolsonaro e à aproximação de setores bolsonaristas com o governo norte-americano.
A propaganda começa com uma narração do ator Wagner Moura sobre a origem e o simbolismo do sobrenome Silva. Na sequência, entra a adaptação da música de Bad Bunny, transportando para o contexto brasileiro temas semelhantes aos abordados na composição original.
Por que justamente essa música?
Lançada em 2025 no álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS, “Lo Que Le Pasó a Hawaii” é uma das músicas de conteúdo político mais explícito da fase recente de Bad Bunny.
A composição aborda a gentrificação de Porto Rico, a saída de moradores da ilha, a pressão econômica externa e a preservação da identidade porto-riquenha, estabelecendo um paralelo com a história do Havaí e sua incorporação aos Estados Unidos.
A escolha, portanto, dialoga diretamente com o discurso adotado pela campanha de Lula sobre soberania e influência estrangeira.
Bad Bunny já protagonizou embate político nos EUA
Bad Bunny também esteve no centro de uma discussão política nos Estados Unidos em 2026. Em fevereiro, comandou o show do intervalo do Super Bowl LX, com forte presença de referências à cultura porto-riquenha e latino-americana. A apresentação contou com Lady Gaga e Ricky Martin, que interpretou justamente “Lo Que Le Pasó a Hawaii”.
Donald Trump criticou publicamente a apresentação. Bad Bunny, por sua vez, já havia manifestado oposição a aspectos da política migratória da administração norte-americana.
A autorização para a campanha brasileira amplia agora a repercussão política da obra fora de Porto Rico e dos Estados Unidos.
Até o momento, porém, as reportagens localizadas informam que a confirmação da autorização foi repassada pela campanha de Lula. Não encontrei uma declaração pública independente de Bad Bunny anunciando apoio eleitoral pessoal a Lula. Portanto, a autorização para uso da música não deve ser tratada automaticamente como um endosso político formal do cantor à candidatura.











