Aos 23 anos, mãe e dona do próprio negócio, Janaine Almeida Rodrigues vive o momento mais difícil desde que decidiu empreender. À frente do Brasaô Espetinhos & Jantinhas, no Setor Central de Anápolis, a jovem afirma ter acumulado dívidas após a queda no movimento do restaurante e agora tenta evitar que o negócio, aberto há apenas quatro meses, feche as portas. Para manter o estabelecimento funcionando, ela diz já ter vendido a própria motocicleta e cortado todos os gastos possíveis.
Janaine conta que investiu as próprias economias para montar o restaurante e comprou praticamente toda a estrutura necessária para começar a trabalhar, incluindo mesas, cadeiras, pratos, copos e outros equipamentos. A intenção, segundo ela, era iniciar as atividades sem dívidas e construir o negócio aos poucos.
Nos dois primeiros meses, a estratégia funcionou. Segundo a empresária, as contas estavam sob controle e o restaurante conseguia arcar com os compromissos próprios da operação. Na época, três funcionários trabalhavam no local, cada um responsável por uma função na produção dos espetinhos.
A situação começou a mudar com a queda no movimento. Janaine afirma que manteve a qualidade dos alimentos e que não considera a comida um problema para a redução das vendas. Na avaliação dela, a principal dificuldade foi fazer com que mais pessoas conhecessem o estabelecimento.
O período de menor movimento coincidiu ainda, segundo a empresária, com a época de barraquinhas em igrejas e com as férias, quando parte dos clientes passou a frequentar outros locais. Com menos dinheiro entrando no caixa, as dificuldades financeiras começaram a se acumular.
Empréstimos viraram uma bola de neve
Para conseguir manter o restaurante funcionando, Janaine passou a recorrer a empréstimos informais. Inicialmente, o dinheiro era utilizado para pagar funcionários e fornecedores. Com o agravamento da situação, porém, novos valores passaram a ser usados para quitar os anteriores.
“Comecei pegando para cobrir pagamento de funcionários, para pagar mercadorias… aí depois pegava mais para pagar os agiotas”, contou.
Segundo ela, com o passar do tempo, perdeu o controle dos valores e chegou ao que considera seu limite. A empresária afirma que não queria continuar recorrendo aos empréstimos, principalmente porque o faturamento do restaurante já não era suficiente para manter as despesas do estabelecimento e quitar as dívidas acumuladas.
A situação chegou a um ponto em que Janaine cogitou sequer abrir o restaurante em determinado dia. De acordo com ela, praticamente todo o dinheiro obtido com as vendas estava sendo destinado ao pagamento das dívidas, dificultando inclusive a compra de novos produtos para manter o atendimento.
Foi diante desse cenário que ela decidiu gravar um vídeo e tornar pública a situação. A ideia surgiu depois que Janaine viu outra pessoa fazendo um pedido semelhante. Apesar da dificuldade em se expor, resolveu contar o que estava acontecendo e pedir uma oportunidade.
O objetivo, segundo ela, não é colocar sobre as pessoas a obrigação de ajudá-la financeiramente, mas fazer com que mais clientes conheçam o restaurante e o trabalho desenvolvido no local.
“Eu pensei que talvez as pessoas pudessem me ajudar… mesmo que não financeiramente, indo conhecer o meu espaço”, relatou.
Empresária diz que cortou gastos e vendeu a própria moto
Atualmente, Janaine afirma que não possui mais funcionários e vem reduzindo todas as despesas possíveis para tentar manter o Brasaô funcionando.
Uma das medidas foi vender a própria motocicleta. “Eu já vendi a minha moto, cortei todos os tipos de gasto possível. Eu estou tentando, estou tentando muito”, afirmou.
Mesmo com as dificuldades, ela diz que não pretende abandonar o negócio. O restaurante representa, para Janaine, não apenas uma fonte de renda, mas a realização de um projeto construído com esforço próprio.
Antes de empreender, ela trabalhou com atendimento e passou por restaurantes e lanchonetes. O interesse pela cozinha também acompanhou sua trajetória, principalmente pelo gosto de preparar pratos e pesquisar receitas para reproduzi-las.
A decisão de abrir o próprio estabelecimento surgiu da busca por independência financeira e pela possibilidade de transformar a própria realidade.
“O Brasaô, para mim, é uma grande realização e oportunidade de mudança de vida”, afirmou.
Desde a inauguração, há cerca de quatro meses, Janaine esteve envolvida em praticamente todas as etapas da operação, desde as compras e organização dos produtos até as entregas. Por isso, afirma ter desenvolvido uma relação pessoal com o restaurante.
“O Brasaô é minha vida… e realmente a minha vida. Não é só o financeiro, eu amo aquele lugar”, declarou.
Apesar das dívidas, a empresária afirma que pretende cumprir os compromissos assumidos e quitar os valores pendentes.
“Eu não quero fugir das contas, não quero dar prejuízo para ninguém. Justamente quero pagar cada um e honrar com os meus compromissos”, disse.
Agora, além da ajuda financeira, Janaine busca recuperar o movimento do restaurante e conquistar novos clientes.
“Quero que elas conheçam o meu trabalho. Quero oportunidade de continuar o meu sonho”, afirmou.
Como ajudar
Quem quiser contribuir pode fazer uma transferência via Pix para a chave 67.508.109.0001-05. A conta está em nome de Renata, amiga de Janaine, porque, segundo a empresária, suas contas bancárias estão bloqueadas.
Além das contribuições financeiras, Janaine pede que moradores de Anápolis conheçam o restaurante e deem uma oportunidade ao negócio.
O Brasaô Espetinhos & Jantinhas fica na Rua Leopoldo de Bulhões, nº 1.488, no Setor Central de Anápolis.











