Uma brincadeira entre estudantes terminou de forma trágica no Colégio Estadual Professor Basílio Chrum, em Castro, nos Campos Gerais do Paraná. Luigi Gabriel da Cruz Sales, de 12 anos, morreu no dia 4 de outubro após permanecer internado em estado grave por mais de uma semana.
O menino havia se machucado em 25 de setembro, durante uma brincadeira com colegas no pátio da escola. Segundo a investigação, os estudantes se revezavam em uma dinâmica em que uma criança era levantada pelos braços por outros colegas.
Quando chegou a vez de Luigi, ele perdeu o equilíbrio durante o movimento e caiu com a parte frontal do corpo contra o chão. Câmeras de segurança da unidade registraram o momento da queda. Depois do impacto, o estudante começou a passar mal e procurou a direção do colégio.
Luigi recebeu atendimento médico e acabou internado em estado grave. Apesar dos cuidados hospitalares, não resistiu aos ferimentos. O corpo foi sepultado na segunda-feira (5), no Cemitério Frei Mathias, em Castro.
Polícia trata caso inicialmente como acidente
A Polícia Civil do Paraná abriu inquérito para esclarecer as circunstâncias da morte. Neste momento, a principal hipótese é de acidente.
O delegado Marcondes Ribeiro, responsável pela investigação, afirmou que, de forma preliminar, não há indicação de que os adolescentes envolvidos tenham tido intenção de machucar Luigi ou assumido conscientemente o risco de provocar a morte.
A polícia, porém, pretende analisar detalhadamente as imagens, ouvir os estudantes, familiares, funcionários da escola e demais pessoas envolvidas antes de concluir o caso. Prontuários médicos e laudos periciais também foram requisitados.
Demora no atendimento também será investigada
Outro ponto que passou a fazer parte do inquérito é o atendimento prestado ao menino depois da queda.
De acordo com a Polícia Civil, o acidente aconteceu por volta das 13h40. Luigi, no entanto, só foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento às 16h25, quase três horas depois.
Segundo as informações apuradas pela RPC e reproduzidas por outros veículos, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Samu, chegou a ser acionado, mas não enviou uma ambulância naquele momento por considerar, a partir da avaliação feita durante o chamado, que o quadro não aparentava gravidade. Posteriormente, o estudante foi levado para atendimento por integrantes da própria escola.
A Polícia Civil agora quer esclarecer o que aconteceu durante esse intervalo e se houve algum tipo de omissão, falha ou demora injustificada por parte da escola ou do atendimento médico.
Até o momento, não há conclusão de que o tempo transcorrido entre a queda e a chegada à unidade de saúde tenha contribuído para a morte do estudante.
Samu abre procedimento interno
O Consórcio Intermunicipal Samu Campos Gerais informou que abriu procedimento administrativo interno para apurar as circunstâncias do atendimento ao chamado.
A instituição deverá analisar os registros da ligação e os procedimentos adotados pela equipe de regulação antes de apresentar uma conclusão oficial sobre o caso.
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná também acompanha a situação. Após a morte de Luigi, atividades da escola foram afetadas e houve disponibilização de apoio à comunidade escolar diante da repercussão e da comoção provocadas pelo caso.
Investigação continua
A Polícia Civil deve agora confrontar os depoimentos com as imagens das câmeras de segurança, documentos médicos e demais provas reunidas.
Além de esclarecer exatamente como ocorreu a queda, os investigadores querem determinar se houve alguma responsabilidade no atendimento posterior ao acidente.
O caso segue em investigação e, até a conclusão dos laudos e depoimentos, é tratado preliminarmente como uma fatalidade ocorrida durante uma brincadeira entre os estudantes.











