A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), conhecida como bancada do agro no Congresso Nacional, declarou oficialmente apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O anúncio foi feito na quinta-feira (1º), a poucos dias do primeiro turno, e chama atenção porque antecipa uma decisão que a própria bancada costumava reservar para uma eventual segunda etapa da eleição.
Em nota oficial, a diretoria da FPA afirmou que o apoio reflete a “convergência das diretrizes do plano de governo do candidato com as prioridades, necessidades e demandas urgentes do setor”.
A frente também disse acreditar que, a partir de 2027, será possível buscar no Congresso “soluções que tragam um novo ambiente econômico de estabilidade, previsibilidade e prosperidade”.
Apoio acontece mesmo com Caiado na disputa
A decisão ganha peso porque a eleição presidencial também conta com Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e político historicamente ligado ao agronegócio.
Caiado é produtor rural, presidiu a União Democrática Ruralista (UDR) e construiu boa parte de sua trajetória política defendendo pautas relacionadas ao campo. Na campanha, ele tem procurado se apresentar como representante direto do setor.
Em meio à disputa por esse eleitorado, Caiado chegou a se definir como “agro raiz” ao estabelecer contraste político com Flávio Bolsonaro, a quem chamou de “sabor agro”. A declaração fazia parte da estratégia do candidato do PSD de reforçar sua identificação histórica com o setor.
A escolha da FPA por Flávio, portanto, ocorre mesmo com um candidato diretamente ligado ao agronegócio ainda na corrida presidencial.
FPA costumava esperar o segundo turno
Outro ponto que torna o anúncio relevante é a mudança em relação ao comportamento adotado anteriormente pela bancada.
O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), havia afirmado meses antes da eleição que a tradição do grupo era evitar uma definição formal no primeiro turno e, em geral, se posicionar posteriormente em torno do candidato de direita que chegasse à etapa final.
Lupion também havia reconhecido a proximidade de Caiado com integrantes da bancada, classificando o então governador como amigo pessoal e figura respeitada pelo setor, mas dizia que uma definição dependeria do cenário eleitoral.
Desta vez, a diretoria optou por antecipar o posicionamento.
Flávio promete compromisso com o setor
Depois de receber o apoio, Flávio Bolsonaro afirmou que seu compromisso seria “sempre com o agro” e voltou a defender medidas relacionadas ao crédito e ao seguro rural.
Entre os pontos mencionados pelo candidato estão a ampliação dos recursos destinados ao Plano Safra e a promessa de evitar contingenciamentos de verbas do seguro rural.
A FPA tem mantido forte atuação no Congresso em temas como renegociação de dívidas rurais, crédito para produtores e seguro rural. Nesta semana, por exemplo, a bancada criticou pontos do relatório de uma medida provisória sobre renegociação de débitos do setor.
Bancada já havia apoiado Jair Bolsonaro
Em 2022, a Frente Parlamentar da Agropecuária também declarou apoio eleitoral ao então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, na disputa do segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A diferença agora é que o posicionamento veio antes mesmo da votação do primeiro turno.
A nota divulgada pela FPA representa a posição institucional de sua diretoria e não significa, necessariamente, que todos os parlamentares que integram a frente votarão no mesmo candidato.











