Em meio à polêmica que colocou Nossa Senhora Aparecida no centro da campanha presidencial, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) participou, nesta segunda-feira (28), do podcast católico SantoFlow e apareceu segurando uma boneca de crochê que representa a Padroeira do Brasil.
Durante a entrevista, Flávio afirmou respeitar pessoas de diferentes religiões e defendeu que o Estado não interfira na fé dos brasileiros.
“Eu não tenho absolutamente nada contra quem tem uma religião diferente da minha”, declarou.
A peça de crochê havia sido entregue ao candidato durante uma passagem pelo Mercado Municipal de São Paulo, também nesta segunda-feira.
Ao mostrar o presente durante o programa, Flávio afirmou que pretende guardá-lo “com mó carinho”.
Participação ocorre em meio à crise envolvendo a Padroeira
A presença de Flávio no programa católico aconteceu poucos dias depois de viralizar nas redes sociais a alegação de que, caso eleito, ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Não há evidências de que Flávio tenha apresentado ou defendido uma proposta desse tipo. O candidato negou reiteradamente a informação.
A controvérsia começou a ganhar força depois de uma declaração anterior de Flávio de que, se eleito, pretendia “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A frase foi interpretada por adversários e usuários das redes sociais como sinal de aproximação com setores evangélicos, mas não constitui proposta para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.
Caso chegou à Justiça Eleitoral
A disputa sobre o tema também chegou aos tribunais.
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou inicialmente a retirada de publicações que atribuíam a Flávio ou à família Bolsonaro a intenção de retirar o título da santa, considerando a narrativa sem comprovação.
Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a restauração de uma postagem específica do humorista Antonio Tabet, entendendo que o caso envolvia liberdade de expressão.
A divergência entre as decisões ampliou ainda mais a repercussão política do episódio.
Flávio compara episódio à “facada” em Jair Bolsonaro
Durante a participação no SantoFlow, Flávio afirmou ter ficado profundamente incomodado com a circulação da informação e chegou a comparar os efeitos políticos do episódio à facada sofrida por Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018.
Segundo ele, o boato teria sido utilizado para provocar desgaste junto ao eleitorado católico.
O candidato também afirmou que, caso seja eleito, respeitará a liberdade religiosa e não pretende utilizar o Estado para determinar a fé da população.
CNBB nega participação na divulgação do conteúdo
Flávio havia acusado anteriormente integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de ajudarem adversários políticos a espalhar a informação.
A CNBB negou qualquer participação na produção ou divulgação do conteúdo e afirmou que não integra estruturas político-partidárias. A entidade também declarou que “a mentira não se combate com outra mentira”.
Depois da manifestação da entidade, Flávio agradeceu publicamente à CNBB pelo esclarecimento de que a instituição não havia participado da disseminação da informação.
A própria CNBB reafirmou neste ano que a Igreja Católica não indica candidatos ou partidos políticos, embora incentive os fiéis a participarem do processo eleitoral e avaliarem propostas e trajetórias.











