A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou estabilidade em junho, mas os números revelam um movimento importante de recuperação em segmentos considerados estratégicos para as eleições de 2026. É o que aponta a nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), que mostra 47% de aprovação à gestão federal, contra 48% de desaprovação. Outros 6% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder.
Os resultados indicam um cenário de empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em maio, a desaprovação do governo era de 49%, após alcançar 52% em abril, o maior índice registrado pela pesquisa desde julho de 2025. Agora, a oscilação registrada é considerada estatisticamente estável.
Apesar do equilíbrio entre aprovação e desaprovação no cenário geral, o levantamento evidencia uma melhora da imagem do governo em grupos que vinham demonstrando maior resistência à administração petista nos últimos meses. O avanço ocorre principalmente entre brasileiros de baixa renda, beneficiários de programas sociais, evangélicos, jovens e eleitores independentes.
Entre os brasileiros com renda familiar de até dois salários mínimos, a aprovação ao governo Lula atingiu 59%, enquanto a desaprovação ficou em 36%. Em relação ao levantamento anterior, houve crescimento de cinco pontos percentuais na aprovação e queda de quatro pontos na desaprovação, consolidando o segmento como um dos principais pilares de sustentação do governo.
O mesmo movimento foi identificado entre os beneficiários do Bolsa Família. A aprovação, que era de 57% em maio, subiu para 60% em junho. Já a desaprovação recuou de 38% para 35%, reforçando o fortalecimento da base de apoio entre os eleitores diretamente impactados pelos programas de transferência de renda.
Outro dado que chamou atenção dos analistas foi o desempenho entre os evangélicos, grupo que historicamente tem apresentado maior alinhamento ao campo político conservador e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A aprovação do governo subiu para 35%, enquanto a desaprovação caiu para 60%.
Embora o saldo ainda seja amplamente negativo para o Palácio do Planalto, a pesquisa aponta uma tendência de redução da rejeição. Em abril, a desaprovação entre evangélicos chegou a 68%, recuando para 65% em maio e atingindo agora 60%. No mesmo período, a aprovação avançou de 28% para 30% e, posteriormente, para 35%.
Entre os jovens de 16 a 34 anos, o governo também registrou melhora. A aprovação alcançou 43%, enquanto a desaprovação ficou em 50%. Na pesquisa anterior, o índice de desaprovação nesse grupo era de 55%, ao passo que apenas 41% aprovavam a gestão federal.
O levantamento ainda mostra avanços entre os chamados eleitores independentes — aqueles que não se identificam politicamente nem com a esquerda nem com a direita e que costumam exercer papel decisivo em disputas presidenciais. Nesse segmento, a desaprovação ao governo caiu 11 pontos percentuais desde abril. O índice passou de 58% para 52% em maio e chegou a 47% em junho.
Especialistas apontam que o desempenho junto aos independentes ajuda a explicar o fortalecimento de Lula nos cenários eleitorais para 2026 divulgados pela própria Quaest no mesmo dia. O grupo é considerado um dos mais relevantes para definir o resultado das próximas eleições presidenciais.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-007661/2026.











