A Copa do Mundo de 2026 pode representar muito mais do que a busca pelo sexto título mundial para a Seleção Brasileira. Desde a conquista do pentacampeonato, em 2002, cerca de 70 milhões de brasileiros acompanham o Mundial sem nunca terem presenciado o Brasil campeão do mundo.
Quando Ronaldo Fenômeno marcou os dois gols da vitória sobre a Alemanha na final disputada em Yokohama, no Japão, em 30 de junho de 2002, boa parte da atual população brasileira ainda não havia nascido. Passados 24 anos, uma geração inteira cresceu ouvindo histórias sobre o penta, assistindo a vídeos dos títulos de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, mas sem experimentar a emoção de ver a Seleção erguer a taça mais importante do futebol.
Desde então, o Brasil acumulou eliminações dolorosas. Foram cinco Copas do Mundo sem conquistar o título: 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Entre elas, a derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em Belo Horizonte, durante o Mundial de 2014, tornou-se uma das páginas mais traumáticas da história do futebol brasileiro.
O peso dessa espera é ainda maior quando se observa a trajetória da Seleção. O Brasil segue sendo o único país pentacampeão mundial e a seleção mais vitoriosa da história das Copas. No entanto, o último título já completa quase um quarto de século, período superior ao intervalo entre algumas das maiores conquistas brasileiras.
A busca pelo hexa também ganha força em um momento de renovação dentro da Seleção. O técnico Carlo Ancelotti assumiu o comando da equipe, carregando a missão de devolver ao Brasil o protagonismo mundial. Em entrevista ao Jornal Nacional, o treinador destacou a importância de criar um ambiente semelhante ao dos grupos campeões do passado.
“Para mim, o ambiente é muito, muito importante”, afirmou Ancelotti ao comentar a necessidade de construir uma equipe unida dentro e fora de campo. A união, aliás, é apontada por personagens históricos como um dos segredos das últimas conquistas brasileiras. Ao recordar o pentacampeonato, Luiz Felipe Scolari destacou o espírito que marcou a campanha de 2002.
“Fomos formando um grupo e um ambiente”, relembrou o treinador campeão mundial. Ronaldinho Gaúcho, um dos protagonistas daquela campanha, também ressaltou o clima vivido pela equipe. “Naquela Copa a gente tinha um clima de família”, afirmou o ex-camisa 10 da Seleção.
Já Romário, destaque do tetra em 1994, definiu em poucas palavras aquilo que considera fundamental para uma equipe campeã: “Uma das coisas mais importantes daquele time era essa união.”
Agora, a esperança de repetir essa fórmula acompanha milhões de brasileiros. Para quem nasceu depois de 2002, o hexa representa a chance de viver algo que até hoje só existiu nos livros de história, nos vídeos antigos e nos relatos dos pais e avós.
Mais do que uma disputa esportiva, a Copa de 2026 pode se transformar em um marco geracional. Afinal, para aproximadamente 70 milhões de brasileiros, a conquista do hexa significaria presenciar, pela primeira vez, a Seleção Brasileira no topo do mundo.











