Goiás enfrenta um avanço significativo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 2.713 registros e 121 mortes confirmadas até o momento. O cenário preocupa autoridades de saúde, que apontam idosos e crianças como os grupos mais vulneráveis, tanto em número de internações quanto em risco de agravamento e óbito.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), 66% dos casos, o equivalente a 1.799 registros, foram identificados em crianças menores de 9 anos. Já entre os idosos com mais de 60 anos, foram contabilizados 489 casos. Quando se trata de mortes, a situação se inverte: 70% dos óbitos, ou 85 registros, ocorreram entre idosos, enquanto 11 mortes foram de crianças na mesma faixa etária, evidenciando a alta circulação de vírus respiratórios e o impacto mais severo entre os mais velhos.
Em nota, a subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, reforçou o alerta: “Os dados mostram claramente que idosos e crianças são os mais vulneráveis em relação às doenças respiratórias neste momento”. Segundo ela, é fundamental que os municípios ampliem as estratégias de vacinação e adotem medidas mais ativas para alcançar esses públicos. “É fundamental que os municípios intensifiquem a busca ativa desses grupos, ampliem as estratégias de vacinação e levem a imunização até onde as pessoas estão, especialmente para aqueles que têm dificuldade de acesso às unidades de saúde”, destacou.
O perfil dos casos revela que crianças lideram as internações, enquanto idosos concentram a maior letalidade. Entre os fatores que explicam esse cenário estão a presença de comorbidades, a fragilidade do sistema imunológico e o maior risco de evolução para formas graves da doença. Diante disso, a SES-GO defende uma atuação integrada entre vigilância epidemiológica, assistência à saúde e campanhas de imunização.
A vacinação segue como principal estratégia para conter o avanço da doença. Goiás já recebeu 935,8 mil doses da vacina contra Influenza, distribuídas aos municípios. Neste momento, a campanha é voltada aos grupos prioritários, como idosos acima de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos e gestantes. No estado, mais de 2,7 milhões de pessoas integram esse público.
Apesar da disponibilidade das doses desde 28 de março em todos os municípios, a cobertura vacinal ainda é considerada baixa: 16,19% em Goiás, índice próximo da média nacional, que está em 16,92%. A Secretaria reforça que, além da vacina contra Influenza e Covid-19, o Sistema Único de Saúde (SUS) também oferece proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) para gestantes e o anticorpo Nirsevimabe para prematuros e bebês com comorbidades.
A SES-GO alerta que medidas como vacinação, diagnóstico precoce, monitoramento constante e manejo adequado dos casos são essenciais para reduzir internações, evitar mortes e impedir a sobrecarga do sistema de saúde, especialmente em períodos de maior circulação de vírus respiratórios.











