Na coluna Elas Brilham, a psicóloga e neuropsicóloga Jakelyne Azevedo Cruvinel revela uma trajetória marcada por mudanças, desafios e propósito. Após mais de uma década atuando no setor de Recursos Humanos, a profissional decidiu retomar o sonho de atuar na clínica, um movimento impulsionado pela maternidade e pela necessidade de reorganizar a própria vida. Hoje, consolidada na Clínica Espaço Singular, em Rio Verde, ela se destaca pelo trabalho que alia ciência, escuta e sensibilidade no cuidado com pacientes e famílias.
Formada em Psicologia em 2007, Jakelyne conta que o desejo de clinicar sempre esteve presente, ainda que “adormecido” durante os anos dedicados ao ambiente corporativo. “Costumo dizer que não fui eu quem escolheu o RH, foi ele que me escolheu. Sempre gostei de lidar com pessoas e com a resolução de problemas”, afirma. A virada veio com a maternidade, quando percebeu que era hora de encarar o próprio sonho. “Tive medo? Sim. Mas fui com medo mesmo”, relata.
A decisão marcou o início de uma nova fase intensa: três pós-graduações, construção da prática clínica e atendimentos compartilhados, até a consolidação de um espaço próprio. “Hoje, olho para trás e vejo que cada etapa fez sentido, inclusive aquelas que, por um tempo, pareceram me afastar do meu objetivo”, destaca.
Para a profissional, o sucesso está longe de métricas tradicionais. “Sucesso pra mim não é sobre status ou números, é sobre coerência”, define. Segundo ela, o impacto do trabalho é percebido principalmente no alívio das famílias ao receberem um diagnóstico. “O diagnóstico organiza aquilo que antes parecia caótico, dá nome ao que estava sendo vivido e abre caminho para uma compreensão mais justa e acolhedora”, explica.
Ao longo da carreira, Jakelyne enfrentou desafios como ambientes corporativos marcados por machismo, lideranças despreparadas e baixa remuneração. Já na clínica, aponta a desvalorização da categoria e a dificuldade cultural em compreender a complexidade da avaliação neuropsicológica. “Superar esses desafios exige, antes de tudo, posicionamento”, afirma, ressaltando a importância de sustentar o valor do trabalho com ética e consistência.
Mesmo diante das dificuldades, a ideia de desistir nunca se concretizou. “Desistir pode até passar como pensamento, mas não como escolha”, pontua. Para ela, o propósito se fortalece a cada evolução de pacientes e a cada história ressignificada no processo terapêutico.
Jakelyne também reflete sobre o espaço feminino no mercado de trabalho. Em um cenário historicamente masculino, ela defende a ocupação de espaços com autenticidade. “Me destacar não significa endurecer ou me adaptar a padrões que não condizem com quem eu sou, mas sustentar minha presença com preparo técnico e segurança”, afirma. E completa: “Quando uma mulher ocupa seu espaço com consciência do seu valor, ela abre caminhos para outras”.
Como diferencial, a psicóloga destaca a integração entre técnica e sensibilidade. “Não me limito a aplicar técnicas, eu compreendo profundamente cada caso”, explica. O foco, segundo ela, vai além do diagnóstico, buscando traduzir informações de forma clara e acessível para pacientes e familiares, oferecendo direcionamento e possibilidades reais de intervenção.
Ao aconselhar mulheres que desejam ingressar na área da saúde, Jakelyne é direta: “Não espere se sentir totalmente pronta para começar. A confiança é construída no caminho”. Ela reforça a importância de formação sólida, supervisão e posicionamento profissional. “Você não precisa ser perfeita para começar, mas precisa ser comprometida para continuar”.
Por fim, deixa uma mensagem para quem ainda não deu o primeiro passo: “Você não precisa ter tudo resolvido para iniciar. Precisa ter clareza do porquê quer isso e compromisso com o caminho. O crescimento é resultado de constância, aprendizado e ajustes ao longo do tempo”.
A psicóloga atende na Clínica Espaço Singular, em Rio Verde, e pode ser contatada pelo telefone (64) 99341-5682.











