O aumento de acidentes com serpentes em Goiás tem acendido um alerta nas autoridades de saúde. Apenas nos primeiros meses de 2026, o estado já contabiliza 584 ocorrências desse tipo, com quatro mortes confirmadas, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES). No Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), referência no atendimento, 170 vítimas de picadas de cobra já foram atendidas neste ano.
Os dados reforçam a gravidade do cenário. Do total de 542 atendimentos por acidentes com animais peçonhentos registrados na unidade, 170 foram causados por serpentes. A maioria dos casos envolve cobras do tipo botrópico, como a jararaca, responsável por 122 ocorrências. Já as cascavéis somam 26 casos classificados como crotálicos, enquanto 17 atendimentos foram relacionados a serpentes não peçonhentas.
Diante do crescimento dos números, a SES destaca que o tempo de resposta após a picada é determinante para evitar complicações graves e mortes. A recomendação é buscar atendimento médico imediato em qualquer unidade de saúde, que poderá encaminhar o paciente para centros especializados, como o HDT, se necessário.
A infectologista e diretora técnica do hospital, Thaís Safatle, chama atenção para práticas equivocadas que ainda persistem entre a população. Segundo ela, ações como comprimir o local ou tentar sugar o veneno são perigosas e não devem ser realizadas. O procedimento correto consiste em lavar a área afetada com água e sabão e procurar assistência médica com urgência.
A especialista também destaca que a administração do soro antiveneno, quando indicada, precisa ser feita o mais rápido possível. O tratamento adequado reduz a gravidade do quadro, previne complicações e aumenta significativamente as chances de recuperação.
Os sintomas variam conforme o tipo de serpente. Picadas de jararaca costumam causar dor intensa, inchaço e sangramentos no local. Já acidentes com cascavel podem provocar alterações neurológicas, como visão turva, queda da pálpebra e até dificuldade respiratória.
Casos recentes ilustram o impacto desses acidentes. Em Goiânia, o autônomo Ramon dos Santos Nascimento está internado há 15 dias após ser picado por uma jararaca durante uma pescaria. Ele relata que sentiu dor intensa e queimação logo após o ataque e afirma que a experiência deixou marcas emocionais. “Dá muito medo, fica o trauma”, disse.
Em Anápolis, um jovem de 27 anos morreu após ser atacado por uma cascavel enquanto trabalhava em uma chácara, evidenciando o risco em áreas rurais e de vegetação densa.
Para reduzir a incidência de acidentes, especialistas recomendam medidas simples de prevenção, como o uso de botas de cano alto ou perneiras de couro em locais de risco, além de evitar colocar as mãos em áreas sem visibilidade, como entulhos e vegetação fechada.
Em situações de emergência, a população pode contar com o suporte do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Goiás (Ciatox-GO), que funciona 24 horas pelos telefones 0800 646 4350 e 0800 722 6001, oferecendo orientação imediata sobre acidentes com animais peçonhentos e intoxicações.











