Um áudio vazado colocou o deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL-MT) no centro de uma nova polêmica em plena reta final das eleições de 2026.
Na gravação, de aproximadamente 11 segundos, Medeiros descreve o próprio eleitorado de forma irônica durante uma conversa com Francisco “Chico” Mendes (União Brasil), prefeito de Diamantino e irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.
“Você sabe que o meu eleitor é aquele eleitor que ora para alienígena e bebe detergente, né? Esse eleitor, Chico”, diz Medeiros no áudio.
A gravação começou a circular nesta semana e rapidamente ganhou repercussão nacional.
Medeiros é candidato ao Senado por Mato Grosso e conta com apoio do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o próprio parlamentar, sua candidatura também foi escolhida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que Medeiros quis dizer?
As duas referências usadas no áudio remetem a episódios que circularam entre grupos bolsonaristas.
A expressão sobre “orar para alienígena” faz referência a vídeos registrados após a eleição de 2022, quando participantes de manifestações apareceram com celulares apontados para o céu durante atos políticos.
Já a menção a “beber detergente” é associada a vídeos recentes em que apoiadores do bolsonarismo ironizaram uma controvérsia envolvendo produtos da marca Ypê.
Após o vazamento, Medeiros não negou o conteúdo da gravação.
Pelo contrário, respondeu à repercussão em tom de brincadeira. Em uma interação com o deputado estadual Gilberto Cattani (PL-MT), escreveu: “Fui policial a vida toda, DETER GENTE foi o que mais fiz!”. Em outra publicação, ironizou que teriam cortado justamente o momento em que mencionava a marca do produto.
Aliados dizem que áudio foi tirado de contexto
Interlocutores de Medeiros apresentaram outra interpretação para a fala.
Segundo eles, o trecho teria sido retirado de contexto e a referência a “beber detergente” seria uma forma irônica de descrever eleitores considerados fiéis e que não abandonariam suas posições políticas.
O próprio candidato afirmou nesta quarta-feira (23) que Mato Grosso estaria vivendo “a eleição mais suja da sua história” e acusou adversários de tentarem destruir sua reputação.
Medeiros também disse que os vazamentos fariam parte de uma ofensiva política contra sua candidatura.
Outro áudio também vazou
A polêmica não se limita a essa gravação.
Em outro trecho da mesma conversa com Chico Mendes, José Medeiros afirma que evita atacar o Supremo Tribunal Federal durante a campanha e relata ter orientado sua equipe de marketing a retirar referências à Corte de seus materiais.
No mesmo áudio, porém, faz uma exceção ao ministro Alexandre de Moraes.
Medeiros afirmou que poderia ser procurado “até no meio da noite” caso a equipe quisesse que ele fizesse críticas a Moraes, mas pediu que não fosse incentivado a atacar os demais ministros do STF.
A sequência de áudios acrescentou um novo elemento à campanha pelo Senado em Mato Grosso e abriu discussão sobre o contraste entre o discurso público do candidato e conversas privadas divulgadas durante a corrida eleitoral.
Até agora, Medeiros não contestou a autenticidade do trecho em que fala sobre os próprios eleitores e optou por responder à repercussão com ironias e acusações contra adversários políticos.











