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Folha de Notícias

Repasse sob suspeita: Vorcaro enviou R$ 500 mil a alfaiataria que confeccionou terno de André Mendonça

Um pagamento de R$ 500 mil feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro à mesma alfaiataria de luxo visitada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), meses antes, colocou uma nova peça no quebra-cabeça envolvendo o ex-dono do Banco Master e o magistrado. A transação, registrada na fatura do cartão de crédito de Vorcaro, ocorreu oito meses depois de o advogado Ciro Rocha Soares aparecer ao lado de Mendonça no estabelecimento e enviar ao banqueiro uma mensagem dizendo estar “trabalhando por você”.

Segundo informações da newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn, a cobrança de exatamente R$ 500 mil foi realizada em 24 de outubro de 2025 e aparece na fatura do mês seguinte em nome de “Alegrete Alfaiataria”. Alegrete é a razão social da Alfaiataria Vasco Vasconcellos, localizada em São Paulo e conhecida por produzir roupas sob medida para clientes de alto padrão.

A conexão chama atenção porque, em 8 de fevereiro de 2025, Ciro Soares esteve na mesma alfaiataria acompanhado de André Mendonça. Na ocasião, o advogado enviou ao banqueiro uma fotografia em que aparece ao lado do ministro e, posteriormente, um áudio no qual afirmou: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”.

O registro financeiro surgiu durante a análise de documentos relacionados a um processo judicial envolvendo Vorcaro, iniciado após parcelas de seu cartão de crédito deixarem de ser pagas e a dívida ser levada a protesto. Os dados da cobrança foram posteriormente cruzados com informações extraídas do celular do banqueiro, segundo a reportagem.

A revelação, porém, não comprova que os R$ 500 mil tenham sido destinados ao terno de Mendonça. Também não há, até o momento, comprovação pública de que a peça encomendada pelo ministro naquela ocasião tenha sido paga por Vorcaro ou por alguém ligado a ele.

A assessoria de Ciro Soares negou que o advogado tenha comprado qualquer terno para Mendonça e afirmou que o encontro na alfaiataria foi casual. O próprio ministro confirmou que esteve no estabelecimento e encontrou Soares no local, mas negou ter sido levado pelo advogado. Mendonça também afirmou que o terno não foi um presente de Vorcaro ou de pessoas ligadas ao banqueiro.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque repórteres de O Globo procuraram a alfaiataria para esclarecer quem realizou os pagamentos e quais produtos ou serviços estavam relacionados às compras. O estabelecimento, contudo, não apresentou os recibos solicitados nem esclareceu a natureza da transação de R$ 500 mil.

A descoberta ocorre em meio à crescente exposição das relações entre Vorcaro, autoridades e intermediários políticos e jurídicos. Mensagens extraídas do celular do banqueiro já haviam revelado a articulação de um encontro reservado entre Vorcaro e Mendonça em março de 2025, em São Paulo, ampliando a pressão sobre os envolvidos e levantando questionamentos sobre a natureza dos contatos mantidos entre o banqueiro e integrantes das instituições de poder.

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