Uma das dores mais intensas que uma pessoa pode sentir, a cólica renal pode ser apenas o início de um problema recorrente. Segundo o urologista João Pedro Marin, entender por que o cálculo se formou é fundamental para evitar que novas pedras apareçam
Poucas dores são tão marcantes quanto a cólica renal. Quem já enfrentou uma crise de cálculo renal costuma descrevê-la como uma das piores dores que já sentiu. O desconforto geralmente começa na região lombar e pode se espalhar para o abdome inferior e a virilha, provocando episódios de intensa dor.
Mas, para quem já passou por isso, existe uma pergunta ainda mais importante do que saber como eliminar a pedra: por que ela apareceu?
De acordo com o urologista João Pedro Marin, os cálculos urinários surgem quando determinadas substâncias presentes na urina ficam concentradas em quantidade suficiente para formar cristais. Com o tempo, esses cristais podem crescer e dar origem às pedras. Algumas pessoas, no entanto, apresentam maior predisposição para desenvolver o problema.
A baixa ingestão de líquidos está entre os principais fatores associados à formação dos cálculos. Quando uma pessoa bebe pouca água, a urina fica mais concentrada, o que facilita a cristalização de substâncias capazes de formar pedras.
Por isso, aumentar a ingestão de líquidos de maneira consistente é uma das principais medidas para quem já teve cálculo renal. No entanto, segundo o especialista, a prevenção não pode ser resumida apenas à recomendação de beber mais água.
Alimentação, consumo excessivo de sal, obesidade, alterações metabólicas, histórico familiar e determinadas condições clínicas também podem contribuir para o aparecimento dos cálculos. Além disso, nem toda pedra nos rins é igual.
Existem diferentes tipos de cálculos e, especialmente nos casos em que o problema se repete, identificar a composição da pedra e investigar possíveis alterações metabólicas pode ajudar o médico a definir uma estratégia de prevenção mais adequada para cada paciente.
Alimentação também pode influenciar
A alimentação é outro ponto que costuma gerar dúvidas entre pacientes. Muitas pessoas acreditam que, depois de desenvolver um cálculo renal, precisam retirar completamente determinados alimentos da dieta. Mas, na prática, a prevenção é mais complexa do que simplesmente eliminar um único item do cardápio.
O excesso de sal, por exemplo, pode favorecer a formação de determinados tipos de cálculos. Por outro lado, restringir o cálcio presente na alimentação sem orientação médica também pode não ser uma estratégia adequada.
Alimentos ricos em citrato, como algumas frutas cítricas, especialmente o limão, podem exercer efeito protetor em determinados pacientes. Por isso, recomendações gerais não devem ser transformadas em dietas extremamente restritivas sem avaliação profissional.
Quando uma pedra nos rins exige atenção?
Em algumas situações, pedras pequenas podem ser eliminadas espontaneamente. Dependendo do tamanho, da localização e das condições do paciente, entretanto, pode ser necessário utilizar medicamentos, realizar acompanhamento por exames de imagem ou recorrer a procedimentos para retirar o cálculo.
Alguns sinais, porém, exigem atenção imediata. Febre associada à dor, calafrios, vômitos persistentes, redução importante da quantidade de urina ou uma dor intensa que não melhora são situações que precisam ser avaliadas rapidamente.
Isso porque uma pedra que provoca obstrução do sistema urinário e está associada a uma infecção pode representar uma situação de urgência.
Quem já teve uma pedra pode ter novamente
Eliminar o cálculo não significa necessariamente que o problema terminou. Uma pessoa que já apresentou uma pedra nos rins pode desenvolver novos cálculos no futuro, principalmente quando os fatores que contribuíram para a formação permanecem presentes.
Por isso, em determinados casos, investigar a origem do cálculo e identificar possíveis alterações metabólicas pode ser fundamental para reduzir o risco de recorrência.
Como resume o urologista João Pedro Marin, “tratar a pedra é importante. Evitar a próxima é ainda melhor.”
A prevenção, portanto, começa antes de uma nova crise. Manter uma hidratação adequada, observar os hábitos alimentares e procurar avaliação urológica quando indicado podem fazer parte da estratégia para reduzir as chances de enfrentar novamente uma das dores mais intensas provocadas pelos cálculos urinários.











