A tradicional rede de lojas de brinquedos Ri Happy entrou com pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para renegociar uma dívida de R$ 827,4 milhões. A medida foi protocolada no domingo (18) e divulgada nesta segunda-feira (19), em meio a uma reestruturação financeira que busca garantir a continuidade das operações da companhia.
O pedido envolve seis empresas do grupo, incluindo a PBKids, outra marca conhecida no mercado brasileiro de brinquedos. A Ri Happy possui aproximadamente 293 lojas espalhadas pelo país e emprega mais de 2,6 mil trabalhadores.
Segundo informações divulgadas pela empresa, credores que representam R$ 308,8 milhões em dívidas já aderiram ao plano de renegociação, demonstrando apoio inicial à proposta apresentada à Justiça.
O que levou a Ri Happy à crise financeira?
A companhia atribui as dificuldades a uma combinação de fatores econômicos que afetaram o setor varejista nos últimos anos.
Entre os principais problemas apresentados estão as consequências da pandemia, os juros elevados, a inflação, o endividamento das famílias e a redução do poder de compra dos consumidores.
Outro fator apontado é o crescimento da concorrência com plataformas internacionais de comércio eletrônico, como Shopee e AliExpress, que ampliaram a disputa por preços e consumidores no mercado brasileiro.
A empresa também relatou dificuldades em uma tentativa anterior de renegociação de dívidas bancárias, realizada em 2023, o que contribuiu para o agravamento da situação financeira.
Grupo passou por mudança de dono recentemente
O pedido de recuperação extrajudicial acontece menos de dois meses após a venda do Grupo Ri Happy para a BluSun Capital Partners, anunciada em 31 de agosto de 2026.
Com a mudança, Héctor Núñez, executivo que já havia comandado a rede anteriormente, retornou à presidência da companhia.
Desde então, a nova administração iniciou medidas de reorganização interna, incluindo revisão de despesas, ajustes nas equipes corporativas e mudanças na estrutura administrativa.
O objetivo é recuperar a capacidade financeira da empresa e preparar o grupo para períodos importantes de vendas, como a Black Friday e o Natal.
As lojas Ri Happy e PBKids vão fechar?
Apesar da situação financeira, a empresa informou que suas lojas físicas e plataformas digitais continuam funcionando normalmente.
O pedido de recuperação extrajudicial não significa falência nem determina o fechamento das unidades. Trata-se de um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite negociar dívidas diretamente com determinados credores e solicitar posteriormente a homologação do acordo pela Justiça.
Diferentemente da recuperação judicial, o procedimento extrajudicial permite uma negociação mais direcionada, envolvendo os créditos abrangidos pelo plano, conforme as regras legais.
A empresa busca reorganizar seus pagamentos e preservar a atividade comercial, especialmente diante da proximidade das vendas de fim de ano.
Crise também atinge outras empresas brasileiras
A situação da Ri Happy ocorre em um período de dificuldades financeiras enfrentadas por importantes empresas do varejo nacional.
Grupos de diferentes segmentos têm recorrido à renegociação de dívidas e a processos de recuperação para enfrentar o custo elevado do crédito, a redução do consumo e o aumento da concorrência.
A fabricante de brinquedos Estrela também apresentou pedido de recuperação judicial em 2026, evidenciando que as dificuldades não estão restritas às redes de lojas.
O que acontece agora?
O pedido da Ri Happy tramita na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.
A companhia busca consolidar o apoio dos credores e obter a homologação do plano de recuperação extrajudicial. Até a última atualização das informações consultadas, a Justiça ainda não havia aprovado o pedido.
Enquanto isso, o grupo afirma que continuará operando normalmente, buscando recuperar sua sustentabilidade financeira e manter a presença das marcas Ri Happy e PBKids no mercado brasileiro.










