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Folha de Notícias

Primo confessou pagar R$ 100 mil para matar ex-prefeito de Pontalina

A Polícia Civil de Goiás avançou nas investigações sobre a morte do ex-prefeito de Pontalina José Porto de Andrade, de 88 anos, e prendeu nesta sexta-feira (16) três suspeitos no município de Jacundá, no Pará. Segundo a investigação, o crime teria sido encomendado pelo próprio primo da vítima, Clovis Guimarães Andrade, que confessou ter pago R$ 100 mil pela execução. 

Os três presos nesta nova etapa são investigados por participação na estrutura usada para cometer o homicídio. Conforme a Polícia Civil, eles teriam fornecido a arma e a motocicleta utilizadas pelo atirador. As identidades não foram divulgadas. A operação contou com apoio da Polícia Civil do Pará. 

Foram cumpridos três mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão. Durante as diligências, os agentes localizaram 11 armas de fogo, entre carabinas e uma pistola calibre 9 milímetros, além de grande quantidade de munições. 

Pistola apreendida pode ser a arma do crime

Um dos principais elementos encontrados durante a operação foi justamente a pistola 9 mm.

Segundo a investigação, o armamento possui o mesmo calibre daquele utilizado no atentado contra José Porto. A arma será trazida do Pará para Goiás e encaminhada ao Instituto de Criminalística, onde passará por exames balísticos para verificar se foi efetivamente usada no crime.

A perícia poderá comparar projéteis e outros vestígios recolhidos durante a investigação e ajudar a confirmar ou descartar a ligação entre a pistola e o assassinato.

Discussão durante jogo de cartas teria iniciado desavença

Clovis Guimarães Andrade havia sido preso preventivamente em agosto. Em depoimento, segundo a Polícia Civil, ele confessou ter contratado a morte do primo e pago aproximadamente R$ 100 mil. 

A motivação investigada remonta a uma discussão ocorrida durante um jogo de cacheta, em fevereiro deste ano. A polícia afirma que os primos trocaram ameaças depois do desentendimento.

Clovis teria relatado aos investigadores que decidiu contratar o crime por medo de que José Porto atentasse contra sua vida. Essa é a versão apresentada pelo investigado e integra a apuração policial. Conforme a investigação, o planejamento teria começado cerca de cinco meses antes do ataque. 

Atirador esperou por horas perto da casa do ex-prefeito

José Porto foi baleado na manhã de 21 de julho, em frente à própria residência, em Pontalina. Imagens de câmeras de segurança ajudaram a Polícia Civil a reconstruir a dinâmica do atentado. 

Segundo os investigadores, o atirador permaneceu aproximadamente duas horas e meia nas proximidades da casa, aguardando a vítima aparecer. Por volta das 11h10, José Porto estava conversando com outra pessoa quando o homem se aproximou e efetuou pelo menos três disparos. 

O suspeito fugiu em uma motocicleta.

A polícia descobriu posteriormente que a moto utilizada no ataque havia sido adquirida poucos dias antes e circulava com placa clonada. O rastreamento do veículo e a análise das câmeras de segurança foram fundamentais para chegar aos envolvidos. 

Os investigadores também recolheram no local um projétil e um radiocomunicador que teria sido deixado pelo executor. Para a Polícia Civil, esses elementos reforçaram a hipótese de que o ataque havia sido previamente planejado. 

José Porto morreu 15 dias depois

Mesmo gravemente ferido, o ex-prefeito chegou a ser socorrido e permaneceu internado por 15 dias. Ele morreu em 6 de agosto, aos 88 anos. 

José Porto nasceu em Ipameri e mudou-se ainda jovem para Pontalina. Ele comandou a prefeitura entre 1973 e 1976, pela Arena, e também exerceu o cargo de diretor financeiro da Saneago durante o primeiro governo de Marconi Perillo. 

Suspeito de executar o crime morreu no Pará

Outro ponto que chama atenção na investigação é que o homem apontado como autor dos disparos contra José Porto morreu em 14 de agosto, no Pará.

As circunstâncias dessa morte ainda são apuradas pela Polícia Civil paraense. 

Com o suposto executor morto, a investigação agora busca esclarecer toda a cadeia de participação no crime, desde a contratação e intermediação até o fornecimento do veículo e da arma.

As três pessoas presas nesta sexta-feira estão sob investigação e suas responsabilidades individuais ainda serão apuradas. Prisão temporária não representa condenação.

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