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Folha de Notícias

Primeiro casamento oficialmente registrado como luciferiano no Brasil é realizado em igreja dedicada a Lúcifer no RJ

O Brasil registrou aquele que é apontado como o primeiro casamento oficialmente realizado dentro de uma tradição luciferiana no país. A cerimônia aconteceu em junho de 2025, em Itatiaia, no Rio de Janeiro, na 1ª Igreja Luciferiana do Brasil, templo localizado às margens da Via Dutra, e chamou atenção pela simbologia e pelos elementos presentes no ritual.

O casamento foi marcado por uma entrada incomum dos noivos: o homem chegou ao local montado a cavalo, enquanto a noiva foi conduzida em uma liteira vermelha até o altar. Diante dos sacerdotes da instituição, o casal realizou seus votos matrimoniais em uma cerimônia com referências à espiritualidade luciferiana e louvores à deusa Astaroth, considerada uma figura central dentro da tradição seguida pela igreja.

A celebração foi conduzida por Mestre Jonan e sua esposa, Lídia Almeida Oliveira, ambos sacerdotes da instituição. Vestidos com roupas vermelhas, os líderes conduziram um ritual que contou com danças, pétalas, água e elementos ligados à natureza, como árvores, em uma representação simbólica de união, espiritualidade e transformação.

Segundo Mestre Jonan, o casamento segue os princípios do luciferianismo, doutrina que, de acordo com seus seguidores, busca a valorização da sabedoria, do equilíbrio e da responsabilidade individual. O sacerdote afirmou que a realização da cerimônia foi autorizada “pela espiritualidade” e explicou que Astaroth representa conceitos como amor, sagrado feminino e consciência.

Após o casamento, o casal passou a seguir os dez mandamentos da Igreja Luciferiana, cujo conteúdo, segundo a instituição, é reservado aos seus membros.

Igreja afirma que luciferianismo não é satanismo

Apesar da associação popular entre Lúcifer e o satanismo, os representantes da Igreja Luciferiana do Brasil afirmam que as duas tradições possuem diferenças. Segundo os líderes, o luciferianismo não cultua uma figura ligada ao mal, mas interpreta Lúcifer como um símbolo de luz, conhecimento, liberdade espiritual e busca por consciência.

A instituição também afirma desenvolver projetos sociais como uma forma de combater preconceitos e apresentar uma visão diferente sobre seus praticantes. Mestre Jonan declarou que a tradição segue princípios relacionados à justiça espiritual e ao aprendizado individual.

“A Quimbanda trabalha na linha da justiça. Nunca fazemos maldade a ninguém. Mas, se alguém merecer, fazemos um trabalho espiritual para que essa pessoa aprenda uma lição e evolua”, afirmou o sacerdote.

Além das cerimônias religiosas, a igreja também possui novos projetos em andamento. Mestre Jonan revelou que adquiriu terrenos próximos ao templo para a construção do Santuário dos Exus, espaço que deverá receber mais de 30 estátuas, algumas com até seis metros de altura. Segundo ele, cada estrutura poderá ter um custo estimado de R$ 40 mil.

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