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Pressionado por investigações da PF, Cláudio Castro desiste do Senado: “A decisão mais difícil da minha vida”

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O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro confirmou, nesta quinta-feira (28), a desistência de disputar uma vaga ao Senado Federal nas eleições deste ano. Em vídeo publicado nas redes sociais, o político afirmou que tomou “a decisão mais difícil” de sua vida e declarou que irá se afastar temporariamente da corrida eleitoral para concentrar esforços na defesa de investigações conduzidas pela Polícia Federal.

A pré-candidatura, lançada em fevereiro pelo PL, já vinha sendo considerada insustentável nos bastidores após Castro ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e se tornar alvo de duas operações da PF em menos de 15 dias. Integrantes da sigla admitiam reservadamente que a permanência do ex-governador na disputa poderia comprometer o desempenho eleitoral do partido no Rio de Janeiro.

“Rezando muito, conversando muito, ouvindo muito, partilhando com minha família, amigos e pessoas que me acompanham, eu resolvi tomar a decisão mais difícil da minha vida. Jamais fugi de briga alguma, mas também tenho que entender que momento a gente vive”, declarou Castro no vídeo.

Sem citar detalhes específicos das investigações, o ex-governador afirmou que não possui “a menor dúvida da lisura” de seus atos enquanto esteve à frente do Palácio Guanabara.

“Sou advogado, já analisei, sobretudo esses dois processos, e não tenho dúvida de que a verdade será esclarecida. Mas, para isso, preciso de tempo. Preciso cuidar dos meus filhos, da minha casa, da minha esposa, das pessoas que eu amo”, acrescentou.

Nos bastidores do PL, a candidatura já era tratada como “inviável”. Correligionários passaram a enxergar Castro como uma “âncora” para a chapa do partido, especialmente diante do agravamento de sua situação política e jurídica. O ex-governador já vinha sendo deixado de lado em agendas públicas e eventos políticos.

Dirigentes da legenda demonstravam preocupação com possíveis reflexos negativos sobre a campanha do senador Flávio Bolsonaro e da candidatura de Douglas Ruas ao governo fluminense. Internamente, integrantes da cúpula do partido afirmavam que ainda poderia haver novos desdobramentos judiciais envolvendo Castro.

A derrocada política do ex-governador começou antes mesmo das recentes operações da Polícia Federal. Em março, ele renunciou ao cargo às vésperas da conclusão do julgamento do TSE que o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A estratégia buscava evitar a cassação e provocar eleições indiretas no estado, mas acabou mergulhando o Rio de Janeiro em um cenário de instabilidade institucional a poucos meses do pleito.

Mesmo recorrendo da decisão, aliados já consideravam remotas as chances de reversão da inelegibilidade. “É uma questão jurídica. Ele está inviabilizado”, afirmou um dirigente do PL antes do anúncio oficial da desistência.

O golpe definitivo, porém, veio com as operações recentes da Polícia Federal. Na última terça-feira (26), Castro foi alvo de uma investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar um suposto esquema envolvendo o Banco Master.

Segundo a PF, a proximidade entre o ex-governador e o empresário Daniel Vorcaro teria facilitado um aporte de aproximadamente R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo previdenciário dos servidores estaduais, no banco. Na decisão, Mendonça classificou os investimentos como “temerários e desprovidos de justificativa técnica”.

Dias antes, em 15 de maio, outra operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, investigou suspeitas de que Castro teria utilizado a máquina pública para beneficiar a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, em um esquema de fraudes fiscais.

No pronunciamento, o ex-governador afirmou que sua família vive “dias muito difíceis” desde o avanço das investigações.

“Minha família está passando por momentos que jamais imaginei que ia passar. Foram dias de dor, de exposição, de mentiras, de narrativas. Muito pior do que a mentira é a meia-verdade”, disse.

Castro garantiu que não pretende abandonar definitivamente a vida política. “Somente dou um passo necessário, com a certeza de estar fazendo o correto neste momento tão difícil”, declarou.

Com a saída do ex-governador da disputa, o PL já iniciou articulações para definir um novo nome ao Senado. Entre os cotados estão os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do ex-secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi. O nome de Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro, também passou a circular nas conversas internas da legenda.

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