Um vídeo com declarações do médico Cláudio Lottenberg, anunciado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) como possível ministro da Saúde, provocou repercussão nas redes sociais nesta terça-feira (20). Na gravação, Lottenberg questiona o modelo de financiamento da saúde pública brasileira e discute o princípio constitucional que estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado.
As declarações ganharam destaque após a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) compartilhar o vídeo e criticar o posicionamento do médico, afirmando que suas ideias representam uma ameaça ao Sistema Único de Saúde (SUS).
No vídeo, Lottenberg classifica o modelo brasileiro de saúde como excessivamente desajustado e questiona se a assistência médica deve ser compreendida como um direito ou como um bem.
Durante a fala, o médico também discute os custos do sistema e a responsabilidade individual pela prevenção de doenças.
Ele questiona se a falta de autocuidado pode gerar despesas que acabam sendo assumidas pela sociedade, por meio do financiamento coletivo dos serviços de saúde.
A declaração gerou críticas por sugerir uma relação entre escolhas individuais e os custos do tratamento médico.
Entretanto, a gravação não permite concluir, isoladamente, que Lottenberg defenda a extinção do SUS ou que considere todas as pessoas doentes responsáveis pela própria condição.
Erika Hilton reage e defende o SUS
A deputada Erika Hilton criticou duramente as declarações e publicou um alerta em defesa do sistema público de saúde.
Em sua manifestação, a parlamentar afirmou que o médico seria contrário ao princípio constitucional que garante atendimento à população e associou suas declarações à possibilidade de enfraquecimento do SUS.
A repercussão levou a expressão “Protejam o SUS” aos debates nas redes sociais, com usuários questionando as possíveis consequências das ideias do médico para a assistência pública.
Médico já defendeu mudanças na gestão da saúde
Cláudio Lottenberg é oftalmologista e já presidiu o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Em 2019, durante um debate sobre financiamento da saúde, defendeu que a aplicação de novos recursos deveria ser precedida por melhorias na gestão do dinheiro disponível.
Mais recentemente, em entrevista à Folha de S.Paulo, afirmou que alguns pontos da Constituição poderiam ser revistos, mas ressaltou que não defendia retirar direitos sociais da população.
Em artigo publicado em maio de 2026, o próprio médico reconheceu a importância histórica do SUS e defendeu maior integração entre os setores público e privado.
Constituição garante atendimento universal
O artigo 196 da Constituição Federal estabelece que a saúde é um direito de todos e uma obrigação do Estado, assegurada por políticas públicas que garantam acesso universal e igualitário aos serviços.
Isso significa que o atendimento pelo SUS não pode depender da renda, da existência de plano de saúde ou de uma avaliação sobre a responsabilidade individual do paciente pelo desenvolvimento de determinada doença.
O sistema oferece desde vacinação e atendimentos básicos até cirurgias, tratamentos oncológicos e procedimentos de alta complexidade.
Flávio Bolsonaro afirma que pretende fortalecer o sistema público
Flávio Bolsonaro anunciou Lottenberg como sua escolha para o Ministério da Saúde caso seja eleito presidente.
O candidato, entretanto, tem declarado publicamente que pretende manter e melhorar o SUS, utilizando como referência padrões de gestão e qualidade associados ao Hospital Albert Einstein.
A indicação do médico e a repercussão de suas declarações ampliaram o debate sobre o financiamento, a universalidade e o futuro da assistência pública no Brasil.
Até o momento, não há proposta oficial confirmada da campanha de Flávio Bolsonaro para extinguir o SUS ou retirar da Constituição o direito universal à saúde.
A controvérsia ocorre a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), e coloca a política de saúde entre os assuntos em discussão na reta final da campanha.










