Durante apenas 11 dias por ano, milhares de brasileiros adotam um estilo de vida que, para muitos, existe apenas no mês de agosto. Chapéu, bota, fivela e camisa xadrez deixam os guarda-roupas e passam a fazer parte da rotina de quem visita o Parque do Peão, em Barretos (SP), em um fenômeno cultural que vai muito além dos shows e das competições de rodeio.
Cavaleiros e amazonas percorrem o parque montados a cavalo, peões enfrentam as provas nas arenas e o público acompanha cada disputa das arquibancadas. Enquanto isso, a tradição se mantém viva com a comida típica preparada no fogo de chão pelas comitivas, a música sertaneja (da raiz ao agronejo) tomando conta dos espaços, apresentações de catira e o som marcante da viola, que completa a atmosfera característica da festa.
Essa transformação do público ajuda a explicar como a Festa do Peão de Barretos, ao longo de sete décadas de história, deixou de ser apenas um rodeio para se consolidar como um dos maiores eventos de entretenimento do Brasil e uma das principais referências nacionais em turismo, cultura e negócios.
Segundo o diretor cultural da festa, Pedro Muzetti, a identidade do evento faz com que visitantes se conectem de maneira única com a tradição sertaneja. “Tem gente que só usa a bota, o chapéu e a fivela durante o mês de agosto para poder chegar aqui no parque e estar a caráter. Esse sentimento que Barretos traz às pessoas é único”, afirma.
O presidente da associação Os Independentes, Jeronimo Luiz Muzetti, destaca que a principal característica da festa é justamente a capacidade de acolher pessoas de diferentes perfis e fazê-las viver intensamente a cultura sertaneja. “Aqui você vai encontrar aquela pessoa que nunca usou chapéu, nunca usou bota e vai fazer isso pela primeira vez. Ela vai se sentir em casa, vai viver o sertanejo durante 11 dias. As pessoas se transformam”, afirma o dirigente, que está à frente da 13ª gestão da entidade responsável pela organização do Barretão.
Mais do que um dos maiores rodeios da América Latina, a Festa do Peão de Barretos reafirma, ano após ano, seu papel como um dos maiores símbolos da cultura sertaneja brasileira, reunindo tradição, entretenimento e um sentimento de pertencimento que atravessa gerações.











