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O impacto da ansiedade no trabalho e nos relacionamentos

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Por Tatiane Lima | Psicóloga Clínica

A ansiedade nunca esteve tão presente na vida das pessoas. Embora seja uma emoção natural e necessária para a sobrevivência humana, os números relacionados aos transtornos de ansiedade têm crescido de forma significativa nas últimas décadas. Esse aumento pode ser explicado por diversos fatores, entre eles o ritmo acelerado da vida moderna, a hiperconectividade, a exposição constante às redes sociais, a instabilidade econômica, as mudanças nas relações de trabalho e, mais recentemente, os impactos emocionais deixados pela pandemia.

É importante compreender que sentir preocupação diante de desafios, responsabilidades ou situações desconhecidas é algo esperado e saudável. A diferença está na intensidade, frequência e duração desses sentimentos. Enquanto uma preocupação comum tende a ser passageira e proporcional ao problema enfrentado, a ansiedade patológica persiste mesmo quando não há um perigo real e passa a gerar sofrimento significativo, comprometendo diferentes áreas da vida. Quando os pensamentos preocupantes se tornam excessivos, difíceis de controlar e começam a interferir no bem-estar, na rotina e nos relacionamentos, é hora de buscar atenção profissional.

No ambiente de trabalho, os sinais costumam surgir de forma gradual. Dificuldade de concentração, procrastinação, medo excessivo de errar, necessidade constante de validação, irritabilidade, fadiga mental, insônia e sensação permanente de sobrecarga são alguns dos principais indicadores de que a ansiedade já está afetando o desempenho profissional. Muitas vezes, a pessoa continua produzindo, mas à custa de um enorme desgaste emocional.

A ansiedade também interfere diretamente na tomada de decisões. O cérebro passa a funcionar em estado de alerta constante, direcionando energia para identificar possíveis ameaças. Como consequência, decisões simples podem parecer extremamente complexas, oportunidades podem ser evitadas por medo do fracasso e projetos importantes podem ser adiados indefinidamente. A produtividade diminui não necessariamente por falta de capacidade, mas pelo excesso de preocupação e antecipação de problemas.

Nesse contexto, existe uma relação importante entre ansiedade e a chamada “síndrome do impostor”. Pessoas ansiosas frequentemente desenvolvem a sensação de que nunca são suficientemente competentes, mesmo quando apresentam resultados positivos. Elas tendem a minimizar conquistas, atribuir sucessos à sorte e acreditar que, em algum momento, serão “descobertas” como inadequadas ou incapazes. Esse padrão gera uma busca incessante por perfeição e alimenta um ciclo contínuo de autocrítica.

Outro aspecto bastante comum é a criação de cenários negativos futuros. A mente ansiosa costuma superestimar riscos e subestimar a própria capacidade de enfrentamento. Assim, a pessoa sofre antecipadamente por situações que ainda não aconteceram, e que, muitas vezes, jamais acontecerão. É como viver repetidamente uma experiência difícil apenas na imaginação, gastando energia emocional com problemas hipotéticos.

O excesso de cobrança, o perfeccionismo e a necessidade de controle também costumam caminhar lado a lado com a ansiedade. A crença de que tudo precisa sair exatamente como planejado ou de que não há espaço para falhas gera uma pressão constante. Como a vida é naturalmente imprevisível, a tentativa de controlar todas as variáveis acaba produzindo ainda mais sofrimento e frustração.

Entre os maiores erros cometidos por quem tenta lidar sozinho com a ansiedade estão ignorar os sintomas, normalizar o sofrimento, evitar situações que causam desconforto, buscar distrações constantes para não entrar em contato com as emoções e acreditar que o problema será resolvido apenas com força de vontade. Embora algumas estratégias possam trazer alívio momentâneo, elas não costumam tratar as causas que sustentam o quadro.

A busca por ajuda profissional deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade quando a ansiedade começa a comprometer o funcionamento diário. Quando o sono, os relacionamentos, o desempenho profissional, a saúde física ou a qualidade de vida são afetados de forma persistente, o acompanhamento psicológico torna-se fundamental. Em alguns casos, a avaliação psiquiátrica também pode ser indicada.

Um ponto que merece destaque é que a ansiedade nem sempre é visível para quem está ao redor. Muitas pessoas conseguem manter uma aparência de normalidade, cumprir compromissos e até alcançar sucesso profissional enquanto enfrentam um intenso sofrimento interno. Por isso, é verdade que a ansiedade pode prejudicar relacionamentos e carreiras mesmo quando ninguém percebe o que está acontecendo.

Também é impossível calcular quantas oportunidades profissionais são perdidas devido à ansiedade. Quantas promoções deixam de ser disputadas? Quantos projetos deixam de ser apresentados? Quantos talentos permanecem escondidos porque alguém acreditou não ser capaz? Em muitos casos, não é a falta de competência que limita o crescimento, mas o medo de falhar, de ser julgado ou de não corresponder às expectativas.

A principal mensagem para quem sente que a ansiedade está roubando sua qualidade de vida é lembrar que o sofrimento emocional não deve ser tratado como algo normal ou inevitável. A ansiedade pode fazer uma pessoa acreditar que ela é incapaz, insuficiente ou que está sozinha em sua luta. No entanto, esses pensamentos não representam a realidade. Com acolhimento, autoconhecimento e suporte adequado, é possível desenvolver recursos para lidar com as preocupações de forma mais saudável, recuperar a confiança e construir uma vida mais equilibrada. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza; é um ato de coragem e cuidado consigo mesmo.

Sobre a profissional

Tatiane atua como psicóloga na área de Avaliação Neuropsicológica e Psicoterapia, realizando atendimento a adolescentes e adultos. O trabalho é voltado à compreensão do funcionamento cognitivo, emocional e comportamental, contribuindo para o diagnóstico, planejamento terapêutico e promoção da saúde mental. 

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