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Negligência familiar acelera depressão, demência e risco de morte entre idosos no Brasil, alerta especialista

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O abandono de idosos no Brasil tem se consolidado como uma crise silenciosa de saúde pública, marcada não por episódios explícitos de violência, mas por negligência contínua, isolamento e ausência de cuidado básico. Em entrevista, o Dr. Dyenys Caetano, especialista em saúde do idoso e com atendimento domiciliar, alerta que a falta de suporte familiar (físico, emocional e financeiro) tem impactos devastadores na qualidade de vida e na saúde mental da população idosa.

Segundo o especialista, o abandono familiar se caracteriza, na prática clínica, quando há omissão de cuidados essenciais por parte da família, especialmente em situações em que o idoso já apresenta algum grau de dependência. “Muitas vezes, esse abandono não é percebido como violência, mas ele se manifesta na solidão, na negligência e na ausência de assistência básica”, afirma.

Os efeitos dessa negligência são profundos. De acordo com o médico, quadros de depressão, ansiedade, perda de sentido de vida e baixa autoestima são frequentes entre idosos abandonados. “O abandono é um fator de risco importante tanto para o surgimento quanto para o agravamento da depressão”, destaca. Ele também chama atenção para o aumento do risco de suicídio nessa faixa etária, frequentemente associado ao sentimento de invisibilidade social.

Além dos impactos emocionais, o isolamento social compromete diretamente o funcionamento cognitivo. “A falta de interação e estímulo acelera o declínio cognitivo, prejudicando memória e atenção, além de intensificar sentimentos de tristeza e apatia”, explica. Esse cenário, segundo ele, também pode influenciar na progressão de doenças neurodegenerativas. “Há evidências de que o isolamento e a ausência de estímulos contribuem para o avanço de quadros como Alzheimer e outras demências.”

Diante desse cenário, o especialista defende ações integradas para combater o abandono. Entre as medidas apontadas estão a educação familiar, o acompanhamento multiprofissional e a implementação de políticas públicas voltadas ao suporte de cuidadores. “É fundamental que as famílias compreendam seu papel e que haja uma rede de apoio estruturada”, afirma.

O fortalecimento dos vínculos familiares também é essencial, mesmo diante de rotinas cada vez mais aceleradas. “Priorizar tempo de qualidade, manter contato frequente e incluir o idoso nas decisões familiares são atitudes que fazem diferença real”, orienta.

Para além do núcleo familiar, a responsabilidade também recai sobre a sociedade. Combater o preconceito etário, conhecido como idadismo, e garantir acesso a serviços de saúde e assistência social são medidas indispensáveis. “Precisamos criar uma cultura de cuidado e respeito com o envelhecimento”, pontua.

Como mensagem final, o médico reforça que a prevenção começa antes mesmo do surgimento de doenças. “O cuidado com o idoso deve ser contínuo. Investir em educação, apoio às famílias, acompanhamento regular e políticas públicas eficazes reduz significativamente os casos de abandono”, afirma. Ele destaca ainda a importância de intervenções como visitas domiciliares, grupos de convivência e suporte psicológico para preservar a dignidade e a saúde mental dessa população.

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