Mãe de três filhos, Jenekely Morais Santos, de 42 anos, passou mal durante um treino em uma academia de Anápolis, na noite de segunda-feira (10), e morreu na manhã seguinte após sofrer um AVC hemorrágico. Antes de cair, ela relatou à melhor amiga que estava muito cansada e, segundos depois, pediu para ser segurada. “Me segura. Me segura”, foram as últimas palavras ditas por Jenekely antes de perder os sentidos, segundo o relato de Carlene Santos, que estava ao lado dela no momento.
Jenekely havia ido à academia acompanhada de Carlene e da enteada quando começou a demonstrar sinais de cansaço. De acordo com a amiga, ela avisou que não conseguiria realizar os exercícios normalmente naquele dia.
“Ela falou: ‘Amiga, eu estou muito cansada. Não sei se eu vou aguentar. Eu nem vou treinar direito hoje, não vou fazer tudo porque estou muito cansada’”, relata Carlene.
Pouco depois, a situação se agravou. Ao perceber que Jenekely precisava de apoio, Carlene tentou ampará-la. “Ela só falou: ‘Me segura. Me segura’”, lembra. A amiga conseguiu segurá-la por alguns instantes, mas a queda aconteceu rapidamente. “Eu consegui segurar ela um pouco, mas foi muito rápido”, relembra.
Jenekely caiu no chão e não voltou a responder. Pessoas que estavam na academia acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que realizou os primeiros atendimentos e encaminhou a mulher ao Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana).
Segundo o hospital, Jenekely deu entrada na unidade às 21h45 e passou por exames que identificaram um sangramento na região que envolve o cérebro. Ela ainda apresentou outras intercorrências durante o atendimento, mas não resistiu e morreu na manhã de terça-feira (11).
A academia informou que Jenekely passou mal durante a realização de um exercício e recebeu atendimento imediato da equipe do estabelecimento e do Samu.
Vida dedicada aos filhos e planos para recomeçar
Além da dor provocada pela morte repentina, familiares e amigos lembram de Jenekely como uma mulher que tinha nos três filhos uma das principais razões para seguir em frente. Nos últimos anos, ela tentava reconstruir a própria vida após uma separação, conciliando o trabalho com os cuidados das crianças.
Nesse período, chegou a trabalhar como motorista de aplicativo. Segundo Carlene, a amiga buscava conciliar a atividade profissional com a criação dos filhos e tinha como principal objetivo garantir melhores condições para eles.
“Ela fazia tudo pelos filhos. Sempre estava trabalhando, correndo atrás e tentando dar o melhor para eles”, conta.
Carlene e Jenekely eram ex-concunhadas e os filhos das duas são primos. A amizade, porém, se fortaleceu depois que ambas passaram por separações. A partir daquele momento, elas passaram a compartilhar mais da rotina e dos planos para o futuro.
“Depois que eu me separei e ela também passou pela separação, nós acabamos nos aproximando muito. Foi nesse momento que nossa relação deixou de ser apenas de família e se transformou em uma amizade muito forte”, afirma Carlene.
Segundo a amiga, mesmo diante das dificuldades, Jenekely procurava seguir em frente e manter os planos para reconstruir a vida.
“Ela sempre estava tentando seguir em frente. Mesmo quando estava cansada, continuava trabalhando”, diz.
Sonho de recuperar a casa, o carro e reencontrar a família
Entre os projetos que Jenekely compartilhava com Carlene estava o desejo de recuperar a estabilidade financeira e reconquistar bens que havia perdido. Ela também queria proporcionar uma vida melhor aos filhos.
“Ela sonhava em conquistar tudo que perdeu, a casa e o carro de volta, para dar uma vida melhor para os filhos. Era isso que ela sempre me falava”, conta Carlene.
Outro desejo que fazia parte dos planos de Jenekely era voltar a Palmas, no Tocantins, para reencontrar o pai e os irmãos, que ela não via havia bastante tempo.
O pai havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) recentemente. Segundo Carlene, Jenekely queria viajar para visitá-lo, mas enfrentava dificuldades financeiras que impediam a realização da viagem.
“Ela falava muito que queria ir para Palmas ver o pai e os irmãos, porque fazia muito tempo que não os via. Ela queria a família unida e poder dar uma vida digna para os filhos”, relata.
A morte interrompeu os planos de uma mulher que, segundo a melhor amiga, ainda tentava reorganizar a própria vida e construir um futuro ao lado dos filhos.











