Uma mulher denunciou ter sido agredida física e verbalmente por um apoiador do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), na tarde deste domingo (18), nas proximidades da Estação Butantã, da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo. Segundo a vítima, o ataque teria sido motivado pelo fato de ela estar vestindo uma blusa vermelha, cor associada ao Partido dos Trabalhadores (PT).
O episódio foi registrado em vídeos que circulam nas redes sociais e ocorreu no mesmo dia em que apoiadores de Flávio Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram de manifestações políticas na capital paulista.
De acordo com reportagem do portal Metrópoles, que teve acesso ao boletim de ocorrência registrado na 14ª Delegacia de Polícia de Pinheiros, a mulher aguardava um veículo por aplicativo quando começou a ouvir provocações relacionadas à cor de sua roupa.
Ainda segundo o relato policial, a vítima inicialmente ignorou os comentários, mas passou a ser insultada quando questionou as pessoas que faziam as provocações.
O homem apontado como responsável pelas agressões foi identificado na reportagem como Diogo Freire, empresário que havia participado de uma manifestação favorável a Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista.
A mulher relatou que foi puxada por trás e atingida por três socos. Ela também afirmou que outra mulher envolvida na confusão teria puxado seus cabelos e apertado seu braço. Pessoas que estavam próximas tentaram interromper as agressões.
Presença de policiais militares gera questionamentos
Um dos pontos que provocaram maior repercussão foi a presença de policiais militares durante o episódio.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram agentes acompanhando a confusão. A reportagem do Metrópoles afirma que os policiais não contiveram o agressor durante os ataques.
Entretanto, a concessionária Motiva, responsável pela Linha 4-Amarela, apresentou uma versão diferente. Em nota divulgada ao UOL, informou que a Polícia Militar estava no local e conteve a situação.
A concessionária também declarou inicialmente que os envolvidos não apresentaram ferimentos e não quiseram registrar boletim de ocorrência. Posteriormente, o Metrópoles divulgou informações do registro policial feito pela vítima, contrariando parte dessa versão.
Suspeito afirma que foi provocado
Procurado pelo Metrópoles, Diogo Freire alegou que havia sido provocado e afirmou que desferiu os socos sem perceber que a pessoa atingida era uma mulher.
A vítima, por sua vez, relatou que estava apenas esperando seu transporte e que não participava de nenhuma manifestação política no momento da abordagem.
Segundo a reportagem, ela procurou atendimento hospitalar após o episódio e foi orientada a realizar exame de corpo de delito.
Caso ocorre na reta final das eleições
O episódio aconteceu uma semana antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, em um momento de intensa mobilização política no país.
No mesmo domingo, outra confusão envolvendo passageiros foi registrada na Estação Pinheiros, também em São Paulo.
As circunstâncias da agressão no Butantã e a atuação dos agentes de segurança ainda dependem de esclarecimentos oficiais. O caso levanta questionamentos sobre a violência associada à intolerância política e a segurança de cidadãos em espaços públicos.










