Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide das Neves Ferreira, uma das quatro pessoas que morreram por exposição aguda à radiação no acidente com o Césio-137, faleceu neste sábado (25), aos 53 anos, em Aparecida de Goiânia.
A informação foi confirmada pela família. De acordo com os parentes, Lucimar foi encontrado morto na região da Cidade Satélite. A causa da morte não foi divulgada.
O velório ocorreu na manhã deste domingo (26), em Abadia de Goiás, município onde também foi realizado o sepultamento.
Exposição ainda na adolescência
Lucimar tinha apenas 14 anos quando foi exposto à radiação liberada pelo Césio-137, em setembro de 1987, em Goiânia.
Assim como outros integrantes da família, ele esteve entre as pessoas afetadas pela contaminação provocada pelo material radioativo encontrado em um aparelho de radioterapia abandonado.
O acidente é considerado uma das maiores tragédias radiológicas ocorridas fora de instalações nucleares. Além das mortes registradas na época, centenas de pessoas foram monitoradas e famílias inteiras passaram a conviver com as consequências físicas, emocionais e sociais da contaminação.
Uma ferida que permanece aberta
A morte de Lucimar reacende a memória da tragédia e as cobranças feitas ao longo das últimas décadas por vítimas e familiares.
Mesmo quase 40 anos depois do acidente, pessoas atingidas pelo Césio-137 ainda relatam dificuldades para obter reconhecimento, acompanhamento contínuo e amparo adequado do poder público.
Além dos problemas de saúde, muitos sobreviventes enfrentaram preconceito, exclusão social e dificuldades financeiras após a contaminação.
Lucimar carregou, desde a adolescência, as marcas de uma tragédia que transformou para sempre a história de sua família e de Goiás.
A morte dele representa mais uma perda entre aqueles que tiveram a vida atravessada pelo acidente de 1987 e reforça a importância de preservar a memória das vítimas, garantir assistência aos sobreviventes e impedir que essa história seja esquecida.











