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Folha de Notícias

Mensagens revelam que Karen Proto teria buscado ‘trabalho espiritual’ para matar promotora, aponta investigação do MPGO

Mensagens interceptadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Goiás (MPGO) revelam que Karen Proto, investigada por suposta participação em um esquema de fraude em licitações na área da educação em Rio Verde, teria procurado uma conselheira espiritual para saber qual “trabalho” poderia ser realizado para matar uma promotora de Justiça. Karen é esposa do delegado Dannilo Proto, preso no âmbito da mesma investigação. O conteúdo das conversas, registradas em 2024 e obtidas pelo portal Mais Goiás, integra os documentos reunidos pelo Ministério Público durante as apurações.

De acordo com as mensagens, Karen questiona diretamente: “Qual o trabalho que faz para matar alguém?” Em seguida, manifesta revolta contra a promotora ao afirmar que queria “explodir e pôr fogo” na agente pública. A promotora, cuja identidade é preservada, confirmou à reportagem que tem conhecimento das ameaças e da suposta tentativa de encomenda contra sua vida, mas informou que não irá comentar o caso.

As conversas ocorreram entre Karen Proto e a conselheira espiritual Sarah Kalil. Segundo a investigação, o motivo da revolta seria uma atuação da promotora para impedir que o Instituto Delta Proto, apontado como um dos principais alvos da operação que investiga supostos crimes de favorecimento em licitações e lavagem de dinheiro, celebrasse um novo contrato com a Prefeitura de Divinópolis de Goiás.

Em um dos trechos, Karen afirma: “Sabe a licitação que ganhamos em Divinópolis? A promotora daqui [Rio Verde] ligou no promotor de lá para falar para nos desabilitar.” A interlocutora responde: “O que essa nojenta fez agora?” Na sequência, Karen questiona: “O que faz para dar um fim, um sossego dessa desgraça?”, referindo-se à promotora. Pouco depois, acrescenta: “Eu quero explodir ela, pôr fogo.”

Segundo o Gaeco, os diálogos fazem parte do conjunto probatório reunido durante a investigação e são utilizados para demonstrar a relação entre os investigados, seus interesses empresariais e as reações às medidas adotadas por agentes públicos responsáveis pelo caso.

Outro trecho das conversas, atribuído ao delegado Dannilo Proto, também foi anexado ao procedimento investigativo. Conforme a transcrição, ele utiliza ofensas contra a promotora ao comentar uma manifestação do Ministério Público relacionada à anulação de um contrato. “Meu bem, eu vou te mandar aí a manifestação da ‘pau no cu’ da promotora lá, aí você dá uma lida”, diz a mensagem atribuída ao delegado. Na sequência, ele orienta Karen a marcar uma conversa e afirma que tentaria reverter a situação.

Pessoas ouvidas pelo Mais Goiás e que afirmam conhecer o casal relataram que Karen e Dannilo seriam adeptos de práticas espirituais semelhantes e já teriam recorrido anteriormente a esse tipo de procedimento. Procurada pela reportagem, a defesa dos investigados informou que não comentará o conteúdo divulgado. Segundo o advogado, trata-se de um material antigo. “Águas passadas pelo menos há um ano”, declarou.

Investigação

Dannilo Proto foi preso em agosto de 2025 e permanece detido após o Ministério Público de Goiás apresentar denúncia pelos crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de capitais, falsidade ideológica e ameaça. Atualmente, ele está recolhido na Casa de Prisão Provisória (CPP), para onde foi transferido depois de ser flagrado com um aparelho celular enquanto estava custodiado na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), em Goiânia.

Karen Proto também foi presa durante a operação. Ela foi detida em Rio Verde, em 27 de janeiro deste ano, por suspeita de integrar a organização criminosa que, segundo o Ministério Público, seria liderada pelo marido. No dia 28 de fevereiro, ela obteve liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

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