As chamadas “canetas emagrecedoras” se tornaram um dos assuntos mais comentados quando o tema é perda de peso. Impulsionados pelas redes sociais e pela promessa de resultados rápidos, medicamentos como Semaglutida e Tirzepatida conquistaram espaço entre pessoas que buscam emagrecer. No entanto, por trás da popularidade crescente, especialistas alertam que o tratamento exige acompanhamento médico e está longe de ser uma solução milagrosa.
Segundo a médica Dra. Brunna Camargo, os medicamentos injetáveis para emagrecimento atuam no controle da fome e da saciedade ao imitarem hormônios produzidos pelo intestino, como GLP-1 e GIP. “Eles ajudam a pessoa a comer menos, sentir menos vontade de beliscar e permanecer satisfeita por mais tempo. Além disso, contribuem para melhorar o controle da glicose e do metabolismo”, explica.
Apesar dos resultados expressivos observados em muitos pacientes, a especialista reforça que não existe fórmula mágica para emagrecer. “Embora sejam medicamentos muito eficazes, não existe milagre para emagrecimento. Eles são ferramentas que ajudam a controlar a fome e a ingestão alimentar, mas os melhores resultados acontecem quando são associados a uma alimentação equilibrada, atividade física e mudanças de hábitos”, destaca.
A médica esclarece que o tratamento não é indicado para qualquer pessoa. Os principais candidatos são pacientes com obesidade, definida por Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², ou pessoas com sobrepeso associado a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e alterações do colesterol.
“A indicação deve ser individualizada e feita após avaliação médica e realização de exames completos. Não se trata apenas de uma questão estética, mas de promover saúde e qualidade de vida”, afirma.
O uso dos medicamentos apenas por motivos estéticos também preocupa os especialistas. De acordo com a Dra. Brunna, quando utilizados sem necessidade clínica, os riscos podem superar os benefícios. “Em pessoas sem excesso de peso ou sem indicação médica, o uso pode expor o paciente a efeitos colaterais sem trazer ganhos significativos para a saúde.”
Outro ponto de atenção é o emagrecimento acelerado. Embora a rápida perda de peso seja frequentemente celebrada nas redes sociais, ela pode trazer consequências importantes ao organismo. Entre os principais riscos estão a perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais, queda de cabelo, fraqueza, formação de cálculos na vesícula e o chamado efeito sanfona.
“O objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas emagrecer de forma segura, preservando a massa muscular e promovendo resultados duradouros”, ressalta.
Sobre o temido retorno dos quilos perdidos após a interrupção do tratamento, a médica explica que o fenômeno ocorre porque o organismo tende a recuperar o peso quando a fome e o apetite voltam a aumentar. “Por isso, é fundamental associar o medicamento a mudanças sustentáveis no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e acompanhamento multiprofissional.”
A especialista também faz um alerta sobre um comportamento cada vez mais comum: a compra de medicamentos pela internet e o consumo baseado apenas em recomendações de influenciadores digitais.
“Há perigo de adquirir produtos falsificados, utilizar doses inadequadas, sofrer efeitos colaterais graves e até mascarar problemas de saúde. O uso desses medicamentos deve sempre ser feito com prescrição e acompanhamento médico”, enfatiza.
Para a Dra. Brunna, os benefícios de um tratamento realizado corretamente vão muito além da balança. Ela relata que muitos pacientes apresentam melhora da glicemia, pressão arterial, colesterol, qualidade do sono e disposição física, além de ganhos significativos na autoestima.
“O impacto costuma ser muito positivo. Muitos pacientes relatam mais confiança nos relacionamentos, maior disposição para as atividades do dia a dia e uma melhor qualidade de vida. O emagrecimento saudável promove bem-estar não apenas no corpo, mas também na saúde emocional e na percepção que a pessoa tem de si mesma”, afirma.
Ao final, a médica deixa uma orientação para quem se sente perdido diante do excesso de informações disponíveis na internet. “A principal orientação é procurar avaliação médica antes de iniciar qualquer tratamento. Cada paciente tem necessidades e objetivos diferentes, e o sucesso do emagrecimento depende de um plano individualizado, com acompanhamento adequado e foco na saúde, não apenas na perda de peso rápida.”
A mensagem reforça um consenso entre especialistas: medicamentos podem ser grandes aliados no combate à obesidade, mas resultados duradouros dependem de mudanças reais nos hábitos de vida e de acompanhamento profissional qualificado.











