A história da médica Fabíula Araújo Garcia é marcada pela dedicação aos estudos, superação emocional e amor pela profissão. Atuando na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dom Miguel, em Santa Helena de Goiás, a profissional relembra uma trajetória construída com esforço, apoio familiar e a certeza de que queria exercer uma profissão capaz de transformar vidas.
Filha de produtor rural e neta de avós que não tiveram acesso aos estudos, Fabíula conta que sempre teve uma relação intensa com o aprendizado. “Sempre fui a criança que amava estudar e ir à escola, sem nenhuma pressão dos pais, na verdade, eles tinham que me frear”, relembra. Desde muito nova, ela se destacava pelo desempenho escolar e afirma ser profundamente grata aos professores que encontrou ao longo do caminho.
Apesar da paixão pelos estudos, a decisão pela medicina não foi imediata. Antes disso, cogitou seguir carreira como engenheira e até professora de história e matemática. Com o tempo, percebeu que a medicina reunia tudo aquilo que mais admirava. “Uma coisa eu sempre tive certeza: eu queria me formar e exercer uma profissão que amasse”, afirma.
Sem médicos na família, a jovem precisou enfrentar uma rotina intensa de preparação até conquistar a aprovação em três universidades de medicina ainda no terceiro ano do ensino médio. O processo, no entanto, também trouxe impactos emocionais. “Adoeci no processo, procurei ajuda e passei em 3 universidades para medicina no meu terceiro ano do ensino médio”, relata.
Ao longo da graduação, Fabíula enfrentou perdas familiares e desafios internos que, segundo ela, mudaram completamente sua visão sobre a vida e sobre a própria profissão. “Durante o processo, meu maior desafio foi comigo mesma. Perdi familiares e isso me abalou profundamente e expôs dores que eu tanto escondia”, conta. Foi nesse período que encontrou ainda mais apoio na família e buscou ajuda profissional para enfrentar os momentos difíceis.
A médica afirma que entrou na faculdade “muito menina de vida”, mas amadureceu diante das dificuldades. “Quando os desafios surgiram, pude entender que o que eu mais amava era e ainda é cuidar de seres humanos”, destaca.
Hoje, formada e atuando na linha de frente da saúde, Fabíula diz que ainda se emociona com cada paciente atendido. “Ainda choro quando os perco, mas entendo que o papel do médico é cuidar, zelar”, afirma. Para ela, sucesso não está ligado ao dinheiro, mas à realização pessoal e ao impacto causado na vida das pessoas. “Posso afirmar que sou realizada quando toco em cada alma que cruza meu caminho, mesmo que em pouco tempo.”
Além dos desafios profissionais, a médica também enfrentou inseguranças por ser mulher e jovem em um ambiente de grande responsabilidade. “Tinha medo por ser mulher, jovem, mas sempre tive muita disposição. Aprendi a nadar no processo, me impor quando necessário e amadurecer”, relata.
Ao compartilhar sua trajetória, Fabíula deixa um conselho para outras mulheres que desejam conquistar seus objetivos. “Definam seus objetivos a longo prazo, mesmo que nebulosos. Corram atrás. Tudo é no tempo de Deus. O processo não é recheado de flores, sejam fortes com seus princípios”, aconselha. Ela também reforça a importância do cuidado com a saúde mental. “Procurem ajuda profissional, se necessário,a não se desgastem sozinhas, cuidem da mente e do corpo.”











