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Médica de Santa Helena emociona ao contar como venceu desafios pessoais para realizar sonho da medicina para salvar vidas

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Filha de caminhoneiro e costureira, a médica Josiane Santos de Souza transformou dificuldades financeiras, problemas familiares e desafios pessoais em combustível para conquistar espaço na medicina. Atuando atualmente nas Unidade de Pronto Atendimento (UPAs) de Santa Helena e Rio Verde, na Clínica da Família, no Hospital do Câncer de Rio Verde e ingressando agora no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) do município, ela compartilhou uma trajetória intensa de perdas, recomeços e resistência.

Durante entrevista à coluna Elas Brilham, Josiane relembrou que o sonho de se tornar médica nasceu ainda na infância, inspirado pelo atendimento humanizado de um profissional da saúde que a marcou profundamente. “Quando eu vi a forma como ele tratava os pacientes no pior momento deles, comecei a enxergar isso de uma forma diferente. Eu falei: ‘cara, eu quero ser isso’”, contou.

Mas o caminho até o jaleco foi marcado por obstáculos. A médica revelou que começou a trabalhar ainda jovem na área administrativa do antigo Hurso, atual Hospital Estadual de Santa Helena de Goiás – Dr. Albanir Faleiros Machado (Herso) onde entrou como jovem aprendiz e depois se tornou auxiliar administrativa no núcleo de qualidade e segurança do paciente. Paralelamente, estudava para o vestibular enquanto conciliava trabalho e cursinho.

Aprovada inicialmente em Medicina em Araguaína, no Tocantins, ela precisou interromper a graduação após o pai ser vítima de um assalto e sequestro. “Foi onde o caos para dar tudo errado começou e, graças a Deus, deu tudo certo”, afirmou.

Depois, ao ingressar em outra faculdade em Aparecida de Goiânia, precisou recomeçar praticamente do zero porque as disciplinas cursadas anteriormente não foram aproveitadas. “Eu estudei dois anos em Araguaína e tive que começar o primeiro período de novo. Foi uma sensação de que aqueles dois anos tinham sido em vão”, desabafou.

Além das dificuldades acadêmicas, a médica enfrentou uma sequência de problemas familiares e de saúde. Segundo ela, o momento mais difícil aconteceu quando o pai sofreu um AVC hemorrágico. “Eu via partes da família falando que aquilo era culpa minha porque eu estava na faculdade. Diziam: ‘de onde já se viu filha de caminhoneiro e costureira querer se tornar médica?’”, relembrou.

A pressão emocional quase a fez desistir diversas vezes. “Eu pensava em desistir praticamente todos os dias”, revelou. Josiane contou que, além da cobrança intensa da graduação, precisou lidar com doenças na família, dificuldades financeiras e o peso emocional de estar distante de casa. “Tinha dia que eu perguntava para Deus: ‘se isso aqui é meu propósito, por que está tão difícil?’”.

Apesar das dificuldades, ela afirma que as experiências mudaram completamente sua visão sobre a vida e a profissão. “Aprendi a valorizar as mínimas coisas, a saúde, o tempo e entender que nem todo mundo vai pensar como você.”

Ao falar sobre o espaço feminino na medicina, Josiane destacou os desafios enfrentados por mulheres jovens dentro de um ambiente historicamente masculino. “É difícil ocupar espaço sendo médica nova, com cara de novinha. Você precisa mostrar o tempo todo que estudou, que está respaldada em protocolos e não em achismo.”

Segundo ela, a construção do respeito profissional veio através da dedicação e da ética. “Eu fui conquistando meu espaço mostrando a pessoa que eu sou, o caráter que eu tenho e o propósito de ser médica.”

A humanização no atendimento é apontada como seu principal diferencial. A médica revelou que faz questão de ouvir os pacientes e acolher quem procura atendimento, mesmo quando o problema não é apenas físico. “Tem paciente que só quer ser ouvido”, disse.

Ela também afirmou que não escolheu a profissão pelo retorno financeiro, e sim por amor à área que escolheu. E ao definir o que considera sucesso, Josiane foi enfática ao colocar a família acima de qualquer conquista material. “Sucesso para mim é ter sua família perto, pessoas verdadeiras que você sabe que estarão ao seu lado quando você mais precisar.”

Na mensagem final, a médica deixou um conselho direto para mulheres que sonham em seguir carreira na área da saúde, mas têm medo das dificuldades. “Só vai. Vai com medo mesmo. Se eu soubesse tudo que enfrentaria lá atrás, talvez eu nem tivesse começado. Mas Deus não coloca no seu coração algo que você não é capaz de fazer.”

Encerrando o relato, ela resumiu a filosofia que carrega consigo ao longo da carreira: “Dar menos do que o seu melhor é sacrificar o dom que Deus te deu.”

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