Folha de Notícias

“Mãe também adoece”: médico alerta para sofrimento psicológico na gravidez e saúde mental materna

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

A romantização da maternidade ainda faz milhares de mulheres sofrerem em silêncio durante a gestação e o puerpério. O alerta é do médico clínico com pós-graduação em psiquiatria, Dr. Paulo Barros, que passará a atender no Centro de Saúde Integrado (CSI), em Santa Helena, mas já realiza atendimento em várias cidades do Sudoeste Goiano. Segundo ele, medo, tristeza, ansiedade e exaustão emocional durante a gravidez são mais comuns do que muitas pessoas imaginam e precisam ser tratados com seriedade.

De acordo com o médico, a sociedade ainda impõe a ideia de que a mulher grávida deve viver um período de felicidade constante, o que acaba silenciando dores emocionais profundas. “Muitas gestantes sentem que precisam estar felizes o tempo inteiro, como se tristeza, medo ou insegurança fossem sinais de ingratidão. Isso aumenta a culpa e faz com que elas sofram caladas”, afirma.

O médico destaca que nem toda gravidez é vivida como um “conto perfeito”. Para muitas mulheres, o período pode ser marcado por crises emocionais intensas, insegurança financeira, medo do parto, conflitos familiares e ausência de rede de apoio. Entre os principais sinais de alerta estão tristeza persistente, crises de ansiedade, irritabilidade extrema, insônia intensa, choro frequente, isolamento social, sensação de incapacidade e perda do prazer em atividades do dia a dia.

Segundo o Dr. Paulo Barros, a ansiedade deixa de ser considerada normal quando começa a dominar a rotina da gestante, prejudicando o sono, a alimentação, os vínculos afetivos e até mesmo o acompanhamento médico da gravidez. Ele também reforça que a depressão gestacional é uma condição clínica real e não deve ser tratada como exagero ou “frescura”.

“Mãe também adoece, também cansa e também precisa de cuidado”, afirma o doutor ao chamar atenção para um dos maiores erros sociais em torno da maternidade: acreditar que gerar uma vida elimina o sofrimento emocional da mulher.

O médico ainda alerta que o impacto da saúde mental materna ultrapassa a mulher e pode influenciar diretamente o ambiente emocional e o desenvolvimento do bebê. “Cuidar da mãe também é cuidar da criança”, ressalta.

Outro ponto destacado pelo médico é a dificuldade de muitas famílias em reconhecer os sinais de sofrimento psicológico. Frases como “isso passa” ou “toda mãe aguenta” podem invalidar a dor emocional da mulher e agravar ainda mais o isolamento. Para ele, familiares e parceiros devem estar atentos a mudanças de comportamento, como apatia, abandono do autocuidado, medo exagerado, irritabilidade constante e falas de desesperança.

O puerpério, período após o parto, também exige atenção redobrada. Conforme explica Dr. Paulo Barros, essa fase pode ser ainda mais desafiadora devido às alterações hormonais, privação de sono, dores físicas, adaptação à nova rotina e pressão social sobre a maternidade.

Apesar dos avanços no debate sobre saúde mental, o preconceito em relação ao acompanhamento psiquiátrico durante a gravidez ainda é uma realidade. O médico reforça que buscar ajuda profissional é um ato de responsabilidade e cuidado, e não de fraqueza. Em alguns casos, o uso de medicação pode ser necessário, sempre com avaliação individualizada, acompanhamento médico e escolha segura para mãe e bebê.

Ao final, o doutor deixa uma mensagem direta às mulheres que enfrentam sofrimento emocional durante a maternidade: “Você não precisa sofrer em silêncio. Pedir ajuda não diminui sua maternidade; pelo contrário, é um gesto de amor por você e pelo seu bebê.”

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Não perca nenhuma notícia importante. Assine nossa newsletter.

Notícias recentes: