Um helicóptero da Polícia Civil de Goiás (PCGO) destelhou parte da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Pirenópolis, durante uma operação realizada no último fim de semana. A força do vento causada pelas hélices da aeronave arrancou telhas, espalhou poeira e folhas no interior do templo e atingiu também o laboratório de restauração de obras sacras.
O caso foi confirmado pela chefe do escritório local do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Margareth Souza, que registrou ocorrência na própria corporação. Segundo ela, a aeronave não possuía autorização para realizar o pouso na área da igreja, situada no centro histórico tombado da cidade.
“Pode parecer que não teria problema aterrissar ali, mas tem sim. É um centro histórico tombado, com casarões e igrejas do século XVIII. [No interior do templo], as imagens estavam cobertas, mas tudo ficou sujo e tremido pelo pouso da aeronave. Se não os responsabilizarmos pelos danos, isso pode acontecer novamente”, afirmou.
Pouso irregular em área tombada
De acordo com o Iphan, o local adequado para esse tipo de operação seria o Campo das Cavalhadas, uma área aberta situada a cerca de um quilômetro da igreja, sem risco aos bens tombados ou à população.
Além do episódio envolvendo o helicóptero, o órgão informou que também irá protocolar denúncia junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) sobre voos rasantes de aeronaves ultraleves registrados recentemente na cidade, que teriam causado impactos em telhados e estruturas históricas.
Avaliação técnica vai apurar danos
Embora o imóvel pertença à Igreja Católica, a Matriz é tombada pelo Iphan, assim como as imagens sacras em seu interior, datadas do século XVIII. Uma arquiteta da fiscalização do órgão fará vistoria técnica nesta quarta-feira para avaliar a extensão dos prejuízos.
“Registramos ocorrência na Polícia Civil e vamos encaminhar os danos apurados para os responsáveis”, reforçou Margareth Souza.
Nota da Polícia Civil
Em nota, a Polícia Civil de Goiás informou que o helicóptero estava em operação de apoio às ações de segurança pública durante o Carnaval em Pirenópolis e municípios vizinhos, com foco na prevenção e atendimento de ocorrências.
A corporação, no entanto, não se manifestou especificamente sobre os danos ao telhado da igreja.











